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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Dia Perfeito #9

Hoje fiz tudo direitinho!
*
Engraçado. Ando sentindo fome de quando em quando. Mas a sensação é tão boa... Vai entender.
*
Quando sinto fome sei que deve faltar uns 15 minutos para a próxima refeição. Batata. O relógio confirma.
*
Hoje me senti meio aérea, relaxada. Não foi uma sensação ruim, não. Só diferente.
*
Sinto também que minha alimentação está começando a entrar no automático. Acho que meus parâmetros do que é comer muito ou pouco estão começando a se ajustar. Bom, né?
*
O que comi hoje:

Café da manhã: 1/2 pão francês + 2 fatias de peito de perú + tomate + rúcula + café + adoçante. Valor: 55 notas.
Lanche da manhã: 1 pedaço de melão. Valor: 25 notas.
Almoço: 2 colheres de arroz + 2 colheres de feijão + 1 bife acebolado + 4 colheres de ervilha torta + salada. Valor: 135 notas.
Lanche da tarde: 1 caqui pequeno + 2 fatias de pão light + 2 fatias de lombo condimentado + tomate + agrião + chá + adoçante . Valor: 90 notas.
Jantar: 1 porção de peixe ao curry com couve-flor. Valor: 70 notas
Ceia: 100 ml de leite + 1 pedaço pequeno de chocolate. Valor: 75 notas.

Total: 450 notas.
Atividade física: 40 minutos de caminhada/corrida.


Café da manhã


Almoço

Olha que lindo! Parece prato de dieta?

Lanche da tarde



Jantar


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Perfeito #8

Tudo quase direitinho. Explico: tive um evento de última hora, onde rolaram vários docinhos. Querer eu não queria e digo isso na maior sinceridade. Estou até estranhando a minha falta de vontade de comer doces nos últimos 2 dias. Mas recusar seria meio... rude e espírito de porco e me obrigaria a ficar explicando a dieta num momento nada a ver. Muito chato... Então optei por jantar uma sopa quase grátis em termos de notas e pegar o mais leve possível nos doces sem dar bandeira.

Conclusões do dia:

- acordei com fome e gastei muitas notas logo cedo. Isso atrapalhou um pouco meu "fluxo de caixa" ao longo do dia. Melhor não fazer isso porque dificulta o resto do dia.

- dei muita distância entre o almoço e o lanche da tarde. Fiquei faminta e comi demais. Por isso, precisei pisar no freio no jantar. Não posso de jeito nenhum ficar mais de 4 horas sem comer.

- não subi na balança e nem vou fazê-lo esta semana. Minha primeira pesagem será na próxima sexta e se repetirá, sexta sim, sexta não. Mas começo a sentir minhas roupas um pouco mais largas. Sensação deliciosa, sem falar na melhora na disposição.


O que comi hoje:

Café da manhã: 1 pão francês + 1/2 colher de creme de ricota + 1 ovo + café + adoçante. Valor: 95 notas.

Lanche da manhã: 1 pedaço de melão. Valor: 25 notas.

Almoço: 3 colheres de coxinha de forno (frango desfiado + purê de batatas + milho + catupiry) + salada verde. Valor: 135 notas.

Lanche da tarde: 1/2 pão francês + 3 fatias de peito de peru light + 2 fatias de lombo condimentado. Valor: 100 notas.

Jantar: 1 prato de sopa de cebola. Valor: 15 notas

Ceia: docinhos. Valor: 80 notas.

Total: 450 notas. Ufa! Consegui, mas hoje foi difícil!


Café da manhã

Acordei com uma fome hoje!



Almoço



Jantar

Sempre que um estereótipo é frustrado....

Sempre que um estereótipo é frustrado, nasce uma fadinha. Verdade!
Dia desses nasceu uma na praça de alimentação de um shopping em SP.

Estava eu, na praça, esperando pela minha senha para pegar meu almoço (é impressão minha ou as praças de alimentação estão cada vez mais parecidas com cartórios?), quando sentam-se na mesa ao lado da minha dois rapazes. Dois brutamontes, estilo marombeiros, ratos de academia, consumidores de anabolizantes, criadores de pitbull. Imaginou?
Eles começaram a conversar. Eu não estava particularmente prestando atenção na conversa deles. Afinal, nada poderia me interessar menos do que saber quantas séries de 50 peitorais o sujeito faz. Ou quantas mil abdominais. Enfim, eu olhava o horizonte (supondo que houvesse horizonte dentro do shopping, claro), e aguçava meus ouvidos, esperando minha senha. Mas fragmentos da conversa dos dois invadiram meus ouvidos e.... a fadinha nasceu! A conversa foi mais ou menos assim:

Marombeiro 1: - Cara, não sei o que fazer. Ela reclama de tudo que eu faço....
Marombeiro 2: - Meu, já tava na hora de ela agir um pouco como namorada...
Marombeiro 1: - Pois é! Eu faço planos para nós e ela parece que não quer nada com nada.
Marombeiro 2: - Claro, porque vocês estão juntos há um tempão. Tinha que pensar um pouco no futuro, fazer planos.
Marombeiro 1: - Eu tento programar uma viagem com ela, guardar dinheiro pra fazermos alguma coisa legal juntos, e ela nem liga....

E assim foi. Dois marombeiros discutindo relacionamento! Pode????

Eu amo quando um preconceito dá xabú. A-M-O!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia Perfeito #7

Hoje fiz tudo direitinho. Ia fazer mais tempo de exercícios para compensar as 40 notas que extrapolei ontem, mas não aguentei. Normalmente corro na rua, o que adoro e nem sinto o tempo passar. Mesmo sem mp3 player, só ouvindo a respiração, mesmo debaixo de chuva, correr na rua é uma delícia. Mas esteira.... aiaiai, mesmo com TV eu me encho de tédio, fico me sentindo um hamster. Como hoje saí para correr antes das 6:00, fiquei com receio de ir pra rua naquela escuridão e encarei a esteira. Daí fiz meus 40 minutinhos regulamentares e só.
Mas, para compensar as tais 40 notas, consumi hoje 400 notas no lugar das 450 que eu teria direito. E mesmo assim me alimentei super bem. Quer ver só?

O que comi hoje:
Café da manhã: 100 ml leite integral (antes de correr) + 1 ovo mexido com tomate e cebola + café + adoçante. Valor: 60 notas.
Lanche da manhã: 1 banana. Valor: 25 notas.
Almoço: 2 colheres de arroz + 2 colheres de feijão + 1 porção de iscas de frango grelhadas + salada de beringela + salada verde. Valor: 135 notas.
Lanche da tarde: 1 fatia de pão integral light + 1 colher de creme de ricota + 1 mexerica. Valor: 55 notas.
Jantar: 2 colheres de arroz + 1 pedaço de robalo grelhado + 4 colheres de beringela refogada + salada verde. Valor: 100 notas.
Ceia: 1 pedaço de melão. Valor: 25 notas.
Total: 400 notas

Atividade física: 40 minutos de corrida/caminhada.
Café da manhã


Almoço

Lanche da tarde

Jantar

terça-feira, 21 de abril de 2009

Dia Perfeito #6

Nem tão perfeito assim.... Mas podia ter sido bem pior, se eu não estivesse me empenhando em seguir os 30 dias perfeitos.


Hoje foi aniversário de minha sogra. Ia ter sobremesa, bolo e doces. Ia ser difícil resistir e foi. Mas a pisada de bola começou com o café da manhã, que não houve. Bom, mas vejamos....

O que comi hoje:

Café da manhã: nada (tsc, tsc, tsc....)
Lanche da manhã: nada (tsc, tsc, tsc...)
Almoço: 2 colheres de arroz de forno + 2 colheres de escondidinho de abóbora e carne-seca + salada verde + 1/2 pedaço de pudim + 1/2 porçao de musse. Valor: 200 notas.
Lanche da tarde: 1 pedaço de bolo + 1 beijinho + 1 pão de queijo. Valor: 160 notas.
Jantar: 1 colher de arroz de forno + 1 colher de coxinha de forno (pure de batata, frango desfiado e catupiry). Valor: 130 notas.

Total: 490 notas.

A coisa não foi tão feia, só extrapolei 40 notas (só!!!!). Vou compensar amanhã, com uma caminhada mais longa.

E o resto da semana vou fazer direitinho! Me aguardem!


Almoço

Tentações:

Bolo musse de chocolate (divino!)



Pudim da Leo (delíiiicia!)

Pão de queijo e beijinho, meu docinho favorito....




Musse bicolor: chocolate e limão (booooooommmmm!)


Jantar: fico devendo.... esqueci de fotografar....

Dia Perfeito # 5

Hoje minha filha está na casa da avó. Enquanto ela é devidamente mimada e tem todas as suas vontades satisfeitas, meu marido e eu vamos dar nossos bordejos...
Bordejo normalmente significa algum grau de pé-na-jaca especialmente para uma apreciadora da alta, baixa e média gastronomia como eu. É um problema: tudo me apetece. Eu queria ser o tipo que morre de nojo de boteco, mas não consigo. Salivo só de pensar nas besteiras: provolone a milanesa babando no óleo, batata frita, mandioca frita, qualquer-coisa frita, pizza.
E como é que estas coisas cabem nos meus 30 dias perfeitos? Com muita moderação e planejamento.
Sabendo que íamos sair hoje, mesmo sem saber exatamente pra onde, economizei as notas ao máximo durante o dia, para poder consumir algumas bobagens calóricas e 2 chopes.

O que comi hoje:

Café da manhã: 1 ovo frito sem óleo + café + adoçante. Valor: 25 notas.
Lanche da manhã: 1 maçã. Valor: 25 notas.
Almoço: Salada + 1 pedaço de peixe grelhado. Valor: 50 notas.
Lanche da tarde: 1 pão de queijo + café. Valor: 45 notas.
Jantar: 4 bolinhos de bacalhau + 1/2 porção de salsichão + 2 chopes. Valor: 300 notas

Total: 445 notas.
Incrível, não?
Atividade física: 45 minutos de caminhada/corrida.

Café da manhã

Almoço

Só pra constar, eu tirei todo o queijo e os croutons da salada, viu?

Jantar

Só pra constar, não comi tudo, viu? Minha parte é o que listei lá em cima....



segunda-feira, 20 de abril de 2009

O dragão sutil

Preciso falar do dragão. Quando comecei meus 30 dias perfeitos, há menos de uma semana, descobri o monstro dentro de mim, que não quer que eu siga dietas. No começo, ele me atacou com dores de cabeça. mau humor e desânimo. Eu me sentia cansada, fraca e muito irritada.
Agora passou, felizmente. Fisicamente me sinto muito bem. Muito mais disposta e relaxada do que o normal. Acredito que me sinto mais disposta por não estar mais tão empanturrada de comida e mais relaxada por conta das endorfinas liberadas pela atividade física. Só posso dizer que a sensação é deliciosa.
Mas, não caio na tentação de pensar que o dragão desistiu. Olhando para trás, vejo que ele sempre esteva ali, me sabotando. Não só em dietas, mas em qualquer situação em que eu esteja ganhando mais controle, ou abrindo mão de controle. O bicho é esperto. Ele começa usando a artilharia pesada: dor de cabeça, mal-estar, desconforto. Quando não dá certo, ele parte para sutilezas: pequenas tentações, o pensamento de que um pequeno deslize não significa nada, de que a vida é curta. É mais difícil resistir a sutilezas. É mais doloroso também. Mas estou só começando e, se é pra cair em tentação, que seja amanhã.
É estranho e perturbador pensar que este dragão é uma parte de mim. De que maneira ele nasceu? Como eu o criei? Por que? Pra que? Não sei. Só sei que preciso pensar nesta dieta como um dia após o outro. Não pensar, só seguir o plano.

Dia Perfeito #4 - conclusão

Consegui passar pelo Dia Perfeito #4. Não enfiei o pé na jaca. Cumpri o plano de atividade física e ainda fiz mais 20 minutos de lambuja.
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Mais tarde eu posto as fotos das refeições de ontem.
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Com relação ao que eu planejava comer ontem, a única diferença é que eu troquei uma porção de carne no jantar por 1 oniguiri (bolinho de arroz) e tsukemono (conservas de pepino e beringela).
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Fiquei feliz e, quer saber, não foi tão sofrido quanto eu imaginei.
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Update: fotos!

Café da manhã

Almoço


Lanche da tarde




Jantar




domingo, 19 de abril de 2009

Dia Perfeito #4

É hoje! Domingo. O dia D. Dia de confrontar as tentações. De rosnar de volta pro dragão.
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Não vai ser fácil.
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Hoje vou a casa de minha mãe. Vai ter churrasco. Ela cozinha maravilhosamente. Meu pai ama entuchar todo mundo de comida. Eu sempre relaxo quando estou lá. Percebem? Então....
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Mas vamos lá. É difícil, mas não é impossível. Tenho ido bem até agora e, se eu não sucumbir hoje, vou conseguir sobreviver a terça-feira (aniversário da minha sogra).
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Vamos a estratégia: uma amiga vai me visitar a tarde na casa da minha mãe e eu preparei uma torta de figos e ameixas. Claro que vou querer comer um pedaço junto com ela. Então, preciso abrir espaço (notas) para isso nas minhas outras refeições.
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O plano:

Café da manhã: 1/2 pão francês + 1 colher de creme de ricota + café + adoçante. Valor: 50 notas. - ok
Lanche da manhã: 1 banana. Valor: 25 notas. - ok
Almoço: 2 porções de carne + salada verde. Valor: 100 notas. - ok
Lanche da tarde: 1 fatia média de torta de ameixa e figos. Valor: 180 notas. - ok
Jantar: 1 oniguiri + tsukemono. Valor: 35 notas. - ok
Ceia: 1/2 pao francês com maionese: 60 notas. - ok

Total: 450 notas
Atividade física: 58 minutos de caminhada/corrida.

sábado, 18 de abril de 2009

Dia Perfeito #3

Sábado. Este não é um dia crítico. A dona da cozinha ainda sou eu. Eu posso recusar a sobremesa e servi-la somente a quem pode comê-la (minha filha). Posso recusar guloseimas sem pensar em nada. Mas amanhã.... é domingo. Dia de ir na minha mãe ou na minha sogra. Duas cozinheiras fenomenais. Preciso pensar numa estratégia.....

O que comi hoje:

Café da manhã: 2 fatias de pão light + 1 e 1/2 colher de creme de ricota + café + adoçante. Valor: 60 notas. - OK
Lanche da manhã: 1 pedaço de melancia. Valor: 25 notas. - OK
Almoço: 2 colheres de arroz + 3 manjubas + 1 porção de peixe com leite de coco + 1/2 banana + salada verde. Valor: 150 notas. - OK
Lanche da tarde: 1 banana + 1/2 colher de creme de ricota + 1 bolacha cream cracker. Valor: 50 notas. - OK
Jantar: 1 porção do cozido de peixe com leite de coco + 1 copo americano de cerveja. Valor: 150 notas. - OK
Ceia: nada. Troquei junto com a sobremesa pela cerveja no jantar. - OK

Total: 435 notas.

Café da manhã:

Almoço:

Dia Perfeito #2

So far so good.
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O grande dragão interior continua me atormentando. Dor de cabeça e pensamentos libidinosos envolvendo uma barra de chocolate gigante, uma travessa cheia de torresminhos e um cheese-egg-bacon-salada-maionese com fritas e coca-cola normal. Mas continuo fingindo que não é comigo.
*
Este é o primeiro dia perfeito em que estou no escritório. O que significa... comer direito no bandejão. Isto não é exatamente difícil, embora envolva fundamentos de estratégia e experiência em garimpo. Com um pouco de jeito, passei batido pelos itens tentadores e engordativos (estrogonofe, filé de frango a parmegiana com fritas, hamburguer gordurento com queijo) e montei um bom prato com salada, legumes, arroz e salmão grelhado. E, incrível, fiquei feliz.
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O que comi hoje:
Café da manhã: 2 fatias de pão light + 2 fatias de presunto de frango + ½ colher de creme de ricota + tomate + rúcula. Valor: 75 notas.
Lanche da manhã: 1 maçã. Valor: 25 notas.
Almoço: 4 colheres de arroz + 1 porção de salmão grelhado + 2 colheres de cenoura e beterraba + salada verde. Valor: 135 notas.
Lanche da tarde: 2 fatias de pão light + 2 fatias de peito de peru defumado + ½ colher de creme de ricota + tomate + rúcula. Valor: 75 notas.
Jantar: 1 filé grelhado + salada verde + 1 mexerica. Valor: 95 notas
Ceia: nada: jantei um pouco mais tarde.

Café da manhã e almoço




Total: 405 notas. Atividade física: 30 minutos de corrida/caminhada.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O grande dragão interior

O ortopedista me liberou. Volto a correr!
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Hoje foi o dia perfeito número 1. Um dia em que dormi direito, me alimentei corretamente e cumpri minha meta de exercícios. Estou orgulhosa de mim, mas constato que existe um dragão dentro de mim, um monstro furioso que odeia restrições de qualquer tipo.
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E olha que minha dieta não é uma coisa tão restritiva, estou apenas contando as notas de cada alimento. Posso tudo, chocolate, sorvete, torresminho. Só preciso contabilizar e cuidar para não ultrapassar as 450 notas diárias.
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Mas o monstro furioso dentro de mim não quer nem saber: restrição é restrição e ele investe contra mim com dor de cabeça e mau-humor.
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E eu bravamente resolvi ignora-lo. Ter um dragão dentro de si, vá lá. Virar um dragão, jamais!
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Dr Jou, meu santo médico acupunturista, me aconselhou a cortar os carboidratos. Eu levo a idéia em consideração, afinal, ele deve saber o que está falando. O homem é o protótipo da saúde perfeita. Alto, esguio, compleição atlética, bem disposto e bem humorado sempre. Se ele consome carboidratos de vez em nunca, isto deve funcionar, certo?
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Certo, mas vamos com calma. Eu já estou aqui travando uma batalha com meu dragão interior por conta de uma mera redução calórica. Não vou provocá-lo ainda mais logo de cara. Vou guardar a idéia de cortar carboidratos para quando chegar ao "platô", aquele momento em que fica mais difícil perder peso.
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Por enquanto, vamos lá! Partindo para o dia perfeito número 2.
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Segue a lista do que comi hoje (a partir de amanhã vou incluir umas fotos...):

Café da manhã: 1 mini-pão de leite + 2 fatias de peito de peru defumado + café com adoçante. Valor: 55 notas.

Lanche da manhã: 1 caqui. Valor: 25 notas.

Almoço: 4 colheres de arroz branco + 1/2 porção de carne + brócolis. Valor: 100 notas.

Lanche da tarde: 100 ml de leite integral + café + adoçante + 2 bolachas cream cracker. Valor: 65 notas.

Jantar: 2 colheres de arroz + omelete (2 ovos) + 4 colheres de cenoura sauté + salada verde. Valor: 100 notas.

Ceia: 100 ml leite integral + 1 colher de achocolatado light + 1 fatia pão integral light + 1/2 colher de creme de ricota: Valor: 90 notas.

Total do dia: 435 notas.

Atividade física: 44 minutos de corrida/caminhada: -322 Kcal

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eita...

Faz 4 dias que estou com fome, gula, apetite voraz. Resultado: enfiei o dois pés na jaca simultaneamente, pisei na bola de futebol americano, escorreguei no tomate seco. Mas amanhã é um novo dia. Amanhã começam os meus 30 dias perfeitos, me comportando diretinho, me alimentando direito, dormindo bem e, se Deus quiser e o ortopedista permitir.... correndo!

Engraçado como nunca fui um bicho muito atlético. Gosto muito de dançar, muito mesmo. Mas só. Até que o bichinho da corrida me mordeu. Acho que viciei. Correr dá barato. E, nos últimos 30 dias, não tenho podido correr por conta de uma torção no tornozelo. Talvez isto explique a comilança dos últimos dias.

Mas deixe estar, jacaré. Estarei de volta aos trilhos amanhã!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Como ser linda

Não sei como ser linda. Até faço idéia, desconfio de algumas coisas. Mas, francamente, não sei. Ah, mas ela sabe. Como ser linda, glamourosa e inesquecível.

Não sei quanto a vocês, mas ando um tanto enjoada da beleza das atrizes, estrelas e etecéteras de hoje. Parece que elas tentam primeiro ser lindas e, só depois, talentosas. Ou talvez, ficar linda demande tanto trabalho, esforço, suor que isto tudo transparece e ofusque a beleza em si.

Sim, porque olhe só estas fotos da minha "ídala" Audrey Hepburn. A beleza simplesmente sai dos poros dela. A beleza entra em nossos olhos. A beleza sobrepõe-se a tudo, mas em silêncio. É uma beleza silenciosa, quieta, discreta. E, ao mesmo tempo, visível e impossível de ignorar.

Talvez o problema seja outro ainda. O conceito de beleza clássica tornou-se popular. Existem parâmetros exatos que definem um rosto como belo e perfeito ou não. Simetria entre os elementos. Uma determinada distância entre os olhos. Uma dada proporção entre os tamanhos dos lábios e do resto do rosto. Então, de repente, é isto o que importa. A perfeição dos meus traços. E dá-lhe cirurgia plástica.
Mas se inicialmente uma cirurgia era feita para corrigir problemas, atualmente elas são feitas para uniformizar os rostos. Ora, a perfeição é só uma. Se todos os rostos do mundo fossem perfeitos, eles seriam iguais. Que horror!
Agora, voltando aAudrey. Quem, olhando para ela, pensa em medir a distância entre suas sobrancelhas ou olhos? Ou o tamanho dos lábios? A beleza dela não dá margem a uniformizações. A beleza dela não dá margem a discussões. Nem a medidas.
E olha que sua vida foi difícil. Filha de uma baronesa (ou condessa? estou com preguiça de pesquisar....) holandesa com um inglês rico e distante, sofreu muito durante a infância com a ausência do pai e com a guerra. Durante a guerra, passou fome, ficou muito doente e quase morreu. Ajudou nas atividades de resistência aos nazistas. Correu perigo. Viu a morte. Tudo isso enquanto era adolescente.
Adulta e já vivendo em segurança nos Estados Unidos, não teve um começo de carreira dos mais fáceis. Sonhava em ser bailarina, mas foi desencorajada por sua professora, que era a melhor e mais respeitada da época. Esta reconheceu que, apesar de possuir uma boa técnica e ser determinada, Audrey não possuía "aquilo" que define uma grande bailarina. Sem rumo, sem sonho, trabalhou dançando aqui e ali, fazendo pequenas pontas. Até que foi descoberta.

Assisti a alguns filmes dela: Sabrina, A Princesa e o Plebeu, Cinderela em Paris, My Fair Lady. Não entendo nada de cinema, mas gosto de pensar que ela nem era uma atriz fantástica e que, por não sê-lo, muito de si mesma vazava para seus personagens. Ou seja, o carisma e o toque de encantamento em seus personagens teriam vindo dela mesma. Mas divago.
Ela teve uma vida intensa e fica a impressão de que ela sempre procurou ser verdadeira e fiel a si. Sua dedicação aos filhos e às causas sociais reforçam esta impressão.

E, finalmente, vejam esta foto. Quem, hoje em dia, em tempos de enlouquecimento em prol da juventude eterna, envelhece com tanta classe?

Bom, agora vou lá, fazer uma promessa para Santa Audrey Hepburn, padroeira das mulheres que querem ser lindas sendo quem são.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pior do que eu imaginava.

Não, meus caros. Não é incentivo, nem é a crise e nem é contagioso. Pior. É causado por mim. Só pode ser. Senão, como a onda de babaquice conseguiu se expandir tanto assim, saindo do âmbito profissional e invadindo meu lar? Como?
E como eu, uma pessoa assim tão normalzinha comecei a trasnformar as pessoas ao meu redor em babacas da pior espécie? É uma coisa assim meio "Heroes", não? Você está lá, fazendo nada, admirando a divisória e, de repente, pumba!, conseguiu mover sua baia 5 centímetros pra frente.
Só que não tão legal, afinal, descobri ter um toque de Midas às avessas. Sh*t!

terça-feira, 24 de março de 2009

Estou perdendo alguma coisa?

Sério: está havendo algum incentivo para babacas? Porque de repente parece que todo mundo com quem eu trabalho resolveu ficar babaca. Assim, sem mais nem menos.
Ou será a crise que está deixando todo mundo estressado, infeliz e.... babaca?
É estranho porque lá costumava ser um lugar agradável para trabalhar. Agora, deusmelivrecredincruis.

Estou com medo: ou é incentivo, ou é crise ou é contagioso.... socorro.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Eu só quero chocolate..... filmes e livros deliciosos

Há muito tempo li um livro fantástico da Laura Esquivel: Como água para chocolate. Um livro maravilhoso que fala da alquimia da cozinha, da paixão pela comida, pela vida e pelo amor. Raramente encontro um livro romântico e sem pieguice. Pouco tempo depois, graças ao sucesso do livro, foi lançado o filme. Lindíssimo, sensível, super fiel ao livro.
A história é sobre Tita e Pedro. Eles se apaixonam loucamente mas não podem se casar porque Tita está presa a uma tradição familiar. Ela, como caçula, deve ficar solteira e cuidar da mãe, que a despreza. A Pedro sobra a alternativa de se casar com Rosaura, a irmã de Tita. Assim, ao menos, ele pode ficar perto dela. Esse amor próximo e impossível se expressa através dos pratos que Tita prepara. Toda paixão, raiva, frustração e desejo são extravasados através da comida e contagiam os sentimentos de todos. De repente, todos estão, de alguma forma, participando daquela paixão, recordando amores, relembrando perdas, vivendo.
*
Chocolate é um filme que eu assisto 20 vezes. Toda vez que estou zapeando e topo com ele, assisto de novo. Não contente, comprei o filme. É lindo. Juliete Binoche faz uma chocolatier de tradição. Todas as mulheres de sua família, aliás, melhor dizer linhagem, já que vivem solitárias, foram chocolatiers. Mas elas não se consideram doceiras. Elas curam as pessoas. Elas não vendem chocolate e sim alívio, alegria, esperança, fé. Sua avó era assim e sua mãe também. E nessa vida dura, solitária e nômade, porém livre, ela cumpre seu destino. De tempos em tempos, ela empacota todas as suas coisas, apanha o jarro com as cinzas da mãe, pega a filha pela mão e vai embora seguindo o vento em busca de outra cidade que precise dela. Lá, monta uma nova loja, enfeita, prepara delícias, salva pessoas. Até que conhece um cigano, pária como ela e se apaixona. Pela primeira vez, ela é quem precisa ser salva e acolhida. E sua vida muda.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ben Linus

E assistindo Lost dia desses me deparei com uma revelação: todos nós temos um Benjamin Linus em nossa vida. Alguém a quem acabamos sempre dando ouvidos, mesmo que a experiência já tenha mostrado que isso não dá certo. Normalmente este Ben Linus é aquela vozinha no fundo da sua mente que sempre diz que não vai dar certo, você não é bom o bastante, que está tudo ruim. Xô, passa fora!

terça-feira, 3 de março de 2009

Crise

Não, não é a crise financeira. Comparada com a minha crise pessoal, a crise financeira mundial é um passeio pela praia.
*
Nada de mais, nenhum super motivo. Só estou de saco cheio.
*
De que? De tudo. Primeiramente de mim.
*
Sabe a adolescência? Quando você se acha capaz de tudo? Onipotente, onisciente, onipresente, quase um deus? Então, estou vivendo uma anti-adolescência. Não sei nada, não posso nada, não estou em lugar nenhum. Não sou nada.
*
Há muito pouco tempo, o pensamento de que não sou nada era reconfortante. Eu me sentia em paz e segura com este pensamento. Mas agora....
*
Não quero falar, não quero ouvir, não quero conversar. Quero ação, movimento.
*
Queria paixão, intensidade. Queria me sentir viva de novo, se for possivel.
*
É, é uma bosta. Mas passa. Acho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Neste calor, nada como uma sopa.... gelada

Cheguei em casa dias destes, me arrastando, derretendo, me desfazendo em suor. Estava com fome, mas não conseguia nem pensar em comer. Então lembrei de uma receita japonesa. Juro que tem um nome, bonito e tchans, mas eu, japonesa torta que sou, não lembro. Fazer o que?

Bom, vamos a sopa:

Tudo começa com um caldo, feito com água, hondashi (um caldinho em pó que você acha em qualquer supermercado), shoyu e legumes. Meus favoritos são bardana e cenoura, mas na falta da bardana foi um shitake que tava dando mole na geladeira. Mas, na boa, só cenoura funciona, abobrinha funciona, vagem idem. O importante é não colocar carne neste caldo, porque senão na geladeira acaba formando uma camada de gordura e/ou gelatininha que não apetecem. Quantidades e proporções, fico devendo porque nunca meço nada quando faço este caldo. Mas não tem segredo: a coisa é visual e depende do gosto de cada um. Coloque shoyu até ficar com uma agradável cor dourada. Hondashi, um envelopinho. Legumes, a vontade, picados bem fininho. Os ingredientes são tão gostosos que não tem como ficar ruim. Vai com fé.




Enquanto o caldo vai fervendo em fogo baixo e tomando gosto, cozinhamos o macarrão. Aí cabe uma ressalva. Para a sopa gelada, gosto do macarrão fininho, de somen. Só que não tinha na despensa, então fui do mais grossinho, de udon. É o mesmo macarrão, só muda o formato. De novo, super fácil de acahr em qualquer supermercado. Se estiver difícil de achar, pergunte pro primeiro japonês que passar na sua frente. Ele vai saber.
E é só cozinhar como qualquer outro macarrão. Só não adicione sal nem óleo, se você faz isso com seu espaguete de domingo.
Quando estiver pronto, escorra a água quente e encha a panela de água fria (de preferência gelada).



Bote tudo na geladeira e vá cuidar da vida. Na hora de comer, monte sua tigelinha assim: um punhado de macarrão escorrido, misturinhas e uma concha do caldo com legumes. Misturinhas são qualquer coisa que você tiver em casa e apetecer no momento. Pode ser carne grelhada em lasquinhas. Cebolinha picadinha. Tofu em cubinhos. Omelete em tirinhas. Deixe sua criatividade falar alto. O meu foi de frango grelhado, pepino e cebolinha.
Fácil, rápido, leve, nutritivo, refrescante e saboroso.
E, o melhor, pode ser feito com antecedência.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Kelly Simpson

Olha só eu caracterizada como personagem dos Simpsons! Quer fazer o seu? É fácil e divertido. Tire uma foto digital em close de seu rosto e vá para simpsonizeme.com. E depois me mostra como ficou hehehe.



(Valeu, Pablo!)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...eu sou do camarão ensopadinho com chuchu....

Tudo começou dia desses, numa corrida muito rápida até a feira. O peixeiro é um gênio e ele deu pra montar umas bandejinhas de camarões médios, fresquíssimos, já limpos e gloriosos a 10,00. É uma quantidade bem satisfatória o que significa bom custo benefício e trabalho zero. Eu amo frutos do mar e bons negócios, então.... Olhei bem para aquelas bandejinhas, lembrei dos lindos chuchus que tinha acabado de comprar e aquela musiquinha da Carmem Miranda começou a tocar na minha cabeça.... Levei os camarões e fiz o tal camarão ensopadinho com chuchu. Delícia e mais fácil impossível. Inspirada pelas Rainhas do Lar, fotografei o passo a passo que segue abaixo.



Primeiro, os ingredientes: o chuchu lindão, o camarão frescão e meu molho de tomate puro e integral que tenho sempre congelado na minha geladeira. Ah, e o coentro, claro.



Em seguida, temperei os camarões com limão a gosto e com coentro bem picadinho. Em seguida, piquei o chuchu bem pequeno. A lá os dois esperando a panela bem bonitinhos.



Daí refoguei alho e cebola sem os quais nada é possível. Este é o melhor cheiro do mundo, alho e cebola fritando num bom azeite.



Com o alho e a cebola douradinhos, juntei o chuchu e o molho já devidamente descongelado e refoguei lentamente, enquanto bebericava uma cerveja, que ninguém é de ferro. A foto da cerveja vou ficar devendo.


Quando o chuchu ficou tenro e todo gostosão, juntei os camarões, adicionei sal a gosto e deixei eles se entenderem em fogo baixo.


Daí foi rápido porque, camarão, ficou rosa, tá cozido, tá macio, tá suculento, tá tudo de bom.



E, final feliz, servi assim, na tigelinha, com arroz branco.


E ouvindo Carmem Miranda cantando Disseram que eu voltei americanizada...
E disseram que eu voltei americanizada
Com o "burro" do dinheiro, que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca

Disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí que ouvi um certo zum-zum
que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandãs já nem existe mais nenhum

Mas p'rá cima de mim, p'rá que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com samba e vivo no sereno
topando a noite inteira a velha batucada

Nas rodas de malandro, minhas preferidas
eu digo é mesmo "eu te amo" e nunca "I love you"
Enquanto houver Brasil... na hora das comidas

eu sou do camarão ensopadinho com chuchu!
Ah, no dia seguinte o (pouco) que sobrou virou risoto. Mas isso é outra história.

Quando Nietzsche chorou (e eu também)

Imagine Nietzsche conversando com Josef Breuer, médico vienense cuja amizade com Freud deu forma a psicanálise. Imaginou? Imagine ainda que esta conversa seja sobre as angústias de Nietzsche, seus medos, dúvidas, inseguranças. Imagine também que, para poder ajudar Nietzsche o próprio Breuer exponha seus medos e angústias. Parece bom, não é?
Eu também achei. Até relevei o fato de que tal conversa muito provavelmente nunca ocorreu de verdade (pelo menos não consta da biografia de nenhum dos dois). Ou seja, trata-se tudo de uma grande licença poética tomada por Irvin Yalom em prol de uma boa história.
Mas, e aí temos um grande "mas", a idéia toda não decola. Motivo: falta de angústias adultas e que possam ser levadas a sério. Explico. No final das contas e muito resumidamente a grande angústia de Nietzsche é só e tão somente medo de ser traído. Isso mesmo. A grande angústia do maior filósofo do século 19 é.... medo de ser corno. Conversa vai, conversa vem e o que fica cada vez mais claro no livro é a paixão de Nietzsche por Lou Salomé. Nietzsche a pede em casamento, ela diz não (afinal casar é uma coisa muito burguesa), Nietzsche fica deprimido e angustiado e reage afastando e ofendendo Lou Salomé. E não, Nietzsche não tinha 15 anos na época.
Se Nietzsche sofre de dor de corno, doutor Breuer sofre da síndrome do tiozão. Ele tem lá seus 40 e poucos anos, casado, 3 filhos, esposa bonita e compreensiva. Mas se sente intimidado pela mulher e desenvolve paixonites por suas pacientes jovenzinhas e desequilibradas para fugir dos problemas domésticos. Uma delas o chama de "paizinho". E ele gosta. Sério. Verdade. Ele sofre porque se sente ligado a uma paciente chamada Bertha que encontra-se claramente perturbada. Ele se encanta pela fragilidade e dependência de Bertha, depois se encanta pela juventude e ousadia de Lou Salomé, depois se encanta pela liberdade de Nietzsche. Se a história se passasse nos dias de hoje, doutor Breuer compraria uma moto e faria uma tatuagem e um pírcim.
Fiquei o livro todo esperando uma reviravolta, a revelação de uma grande angústia existencial debaixo de toda esta bobagem adolescente. Mas nada. Era só isso mesmo. No final, Nietzsche chora e reconhece sua dor. Breuer o convence de que corno não existe, é só uma coisa que puseram em sua cabeça. Breuer reconhece que Bertha tem problemas sérios, que a culpa por suas insatisfações não é de sua família e resolve investir no seu relacionamento com a esposa. E fim.
No final das contas, fico aliviada de que este livro é ficcional. De que toda esta bobagem nunca aconteceu. Assim posso seguir admirando Friederich Nietzsche.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Turismo no quintal

Estou de férias. Mas, por uma série de razões, não vou poder viajar. Resolvi, então, explorar minha própria cidade, fazer turismo na velha e boa São Paulo.
Como é férias, minha filha estava na vovó e tal, acordei tarde, fiz tudo beeeeem preguiçosamente e saí de casa na hora do almoço. Daí, comecei o passeio pelo almoço mesmo que foi, também, uma recordação: o filé a Osvaldo Aranha do restaurante Pateo do Collegio. Costumava degustá-lo no almoço quando trabalhava por aqueles lados e nunca mais achei um que fosse tão bom. Segue uma fotinho, pra vocês ficarem com vontade. Nham!










Depois, fui para o Pateo do Colégio própriamente dito, passando pelo Solar da Marquesa. Nunca imaginei que houvesse um café tão simpático e aconchegante dentro do Pateo. Uma deliciosa ilha de sombra e silêncio.
Perambulei por um tempão pelas ruas do centro, sem rumo, sem objetivo. Só andando. Absorvendo a cidade que um dia me absorveu. Quando eu era criança, meus pais faziam compras por lá. Mappin, Mesbla, lojinhas. Almoço no Xangai ou no Pelicano. Comprar canetas e grafites no camelô. Hoje, está tudo diferente e está tudo igual. É como um quadro com a moldura trocada. É completamente diferente, mas ainda a mesma coisa.

Quis entrar no Teatro Municipal. Imaginei que houvesse visitas guiadas, a exemplo do que tem no Teatro Colon em Buenos Aires . Não achei sequer a entrada, pois a lateral estava em reforma, fechada por tapumes e a frente estava interditada, tomada por mendigos.

Exausta, e sem ainda ter ido a Catedral da Sé, fechei o passeio com uma visita a Igreja de São Bento e comprando Benedictus no mosteiro.

Senti falta de informações turísticas. Indicações, mapas de bolso, mapas nas ruas. Passeios, visitas. Penso que tudo isto seria uma forma de trazer dinheiro para a cidade. De resto, estava tudo lá. Pessoas lendo a sorte no Viaduto do Chá. Camelôs vendendo os mesmos brinquedos no Viaduto da Santa Ifigênia. Pessoas carregando sacolas gigantescas. Mendigos. Muita e muita gente trabalhando, andando apressada sem olhar pro lado. Músicos de rua. Minha cidade.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Grandes verdades

* Penso, logo me engano
* A preguiça é a mãe do progresso
* É mais fácil acreditar no impossível do que no improvável
* O pássaro madrugador é que consegue a minhoca suculenta
* Por outro lado, é a minhoca dorminhoca que escapa do pássaro madrugador
* Todos buscam a felicidade, mas ninguém sabe pra que
* Envelhecer é uma droga mas a alternativa é ainda pior

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Eu quero acreditar em Papai Noel!

Sempre adorei esta época de festas. Mandar cartões de Natal, planejar a ceia, comprar presentes. Reunir a família, abraçar os amigos.
Há algum tempo, porém, tenho sentido o clima sendo estragado pelo monstro do stress. O prazer de presentear as pessoas queridas, o gosto em preparar a ceia, tudo acaba virando fonte de ansiedade devido à pressa e à obrigatoriedade que passou a definir nossas relações. A magia se dissolve em meio à ansiedade e à correria.
E qual a saída? Parar de comprar presentes? Ceiar strogonofe de microondas? Deixar de abraçar os amigos? Não, né.
Penso que a solução, como sempre está dentro de nós. Na capacidade de abstrair. Comprar presentes sem pensar na obrigação de dá-los e sim no prazer de quem vai recebê-los. Escolher presentes que demonstrem carinho e não poder aquisitivo. Escrever cartões e e-mails expressando seus sentimentos e não cumprindo uma obrigação. E acreditar na magia do Natal. Oras, lembro de quando eu era criança. Lembro da magia. Como ela pode ter parado de existir?
Não parou. A magia continua existindo, só minha capacidade de percebê-la é que se reduziu. E eu quero a magia de volta. Eu quero acreditar em Papai Noel.
Para você que quer acreditar em Papai Noel, na magia do Natal, nas possibilidades, na esperança.... as razões nem precisam ser complexas, basta pensar que acreditar é tão mais divertido do que não acreditar. Para você, um presente de Natal, de um tempo que a magia era um fato e não uma esperança: o vídeo de Natal da Turma da Mônica! Feliz Natal pra todos, Feliz Natal!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Assinar pra quê?

Pois é. Não aprendo. Pra que assinar uma revista/coleção, se eu sei que vou ser tratada com o maior descaso no primeiro problema (que com certeza vai ocorrer). Você já entrou no SAC da Abril (www.abrilsac.com.br)? É horrível! Qual a utilidade de um SAC que não se comunica com o cliente? Não tem chat. Não tem telefone de contato. As informações estão erradas. Você manda um e-mail e não recebe resposta. Inútil e só serve pra dizer que a empresa tem um SAC. Sei: um SAC que não ouve e não responde. Super útil.
Esta foi a última vez que faço esta burrada. Da próxima vez, compro com o velho e bom jornaleiro. Simpático, atencioso, que corre atrás dos números que preciso, sorri, me diz bom dia e se importa com minha opinião a seu respeito. E não tem telefone de atendimento com gravação idiota e 20 minutos de espera.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não quero nem saber de crise

Ando fugindo das pessoas. Motivo: o próximo que cutucar meu ombro e começar a falar da crise corre o risco de tomar um soco.
Não aguento mais ouvir gente falando da crise, com cara de medo, de pânico, falando em conter os gastos até que as coisas melhorem.
Primeiro que choramingar não resolve crises, infelizmente. Espalhar pânico, baseado em cenários apocalípticos também não. E muito menos apertar cintos. Historicamente, aliás, apertar cintos SEMPRE piorou as crises financeiras. Todos os planos de retomada que deram certo sempre começam com medidas para incentivar o consumo. Porque só com consumo se mantém os níveis de produção e de empregos.
Agora, se os apavorados de sempre estiverem certos desta vez, e esta seria a primeira vez diga se de passagem, então este é mesmo o fim do mundo, o final dos tempos, a grande hecatombe. Então, guardar o dinheirinho debaixo do colchão vai adiantar de alguma coisa? Hein? Se o mundo vai acabar mesmo, pra que passar a pão e água? Pra que encher o meu saquinho?
Então, se você está de saco cheio de ouvir falar em crise financeira, se você, tal como eu está a ponto de responder que a crise que vá para a pqp, junte-se a mim em mais este serviço de utilidade pública CoisasQueEuAcho: o MSSOFC - Movimento dos Sem Saco de Ouvir Falar em Crise.
Para se filiar a este movimento, é simples: a próxima vez que um chatonildo vier te falar:
- que a coisa está feia: mostre uma foto do Pedro da Lara pelado para mostrar que tem coisa muito mais feia.
- que o futuro é tenebroso: mande assistir Exterminador do Futuro, para mostrar que que os anos 2000 estão muito melhores do que se previa.
- que a grana tá curta: pergunte quando ela estava longa.
- que a coisa tende a piorar: bom, se tende a piorar aproveita e cobra logo aquela grana que o chatonildo está de devendo, não é mesmo?
- que é o fim do mundo: fale pro cara transferir toda a grana pra sua conta já que o mundo vai acabar mesmo.
- que esta crise é séria: explique, detalhadamente, muito lentamente, que o universo segue um fluxo que obedece uma ordem cíclica. Que o equilíbrio entre o yin e o yang leva a momentos de crise periódica. Que estas crises levam ao crescimento espiritual e ao amadurecimento das relações. Que tudo o que sobe desce, que tudo o que desce sobe. Que o que está em cima é igual ao que está embaixo. Que tudo é relativo, que dinheiro não traz felicidade, etc, etc, etc. Pronto. Agora ele viu o que é ser chato e não vai te incomodar mais.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pureza e outras coisas que fazem falta

A gente não percebe como vive no automático e como segue scripts. Aliás, a gente jura que não segue scripts, que é autêntico e espontâneo. Então tá. Fui a apresentação de balé da escola da minha filha. Tinha de tudo, desde colegiais, que lógico, ficaram com os papéis principais com as coreografias mais complexas e trabalhadas até as pequenininhas, que apresentaram seus primeiros passos. Foi muito legal. Mas bacana, bacana mesmo, era ver a apresentação das pequenininhas, com seus pequenos acertos e muitos erros. Porque elas estavam simplesmente amando estar lá. Elas estavam se divertindo a beça. Elas não estavam preocupadas com a opinião alheia, ou com o contentamento da professora. Elas estavam só dançando. De forma verdadeira e sincera.

E não é isso que todo mundo devia fazer sempre? Divertir-se de verdade?

*

E uma grande e sábia e querida e admirada amiga me perguntou que mulher eu gostaria de ser, ou sinto que deveria ser. Hum. Pensei um pouco e logo me veio uma saudade ancestral de sentar numa roda com outras mulheres, cada qual com suas crianças ao redor, fiando, tecendo e contando histórias. Uma necessidade atávica de poder pedir ajuda, de poder contar, de oferecer apoio, de partilhar. Pensei logo numa querida comadre, daquelas que toca sua campainha no meio da tarde pra te convidar para tomar café com bolo. Pensei nessas pessoas incríveis que batem a porta do vizinho pra pedir emprestada uma xícara de açúcar e que, em compensação cuida do peixinho quando o vizinho viaja.

Tão fácil, tão difícil. Por quê, hein?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sympathique

Esta música está virando hino. Já acordo cantando. Então vamos lá, todo mundo junto: Je ne veux pas travailler....




Ma chambre a la forme d'une cage
Meu quarto parece uma gaiola

Le soleil passe son bras par la fenêtre
O sol se projeta através da janela

Les chasseurs à ma porte
Os mensageiros a minha porta

Comme les petits soldats
como pequenos soldados

Qui veulent me prendre
que vêm me prender


Je ne veux pas travailler
Eu não vou trabalhar

Je ne veux pas déjeuner
Eu não vou almoçar

Je veux seulement l'oublier
Só vou esquecer

Et puis je fume
E então fumo


Déjà j'ai connu le parfum de l'amour
Eu já conheci o perfume do amor

Un million de roses n'embaumerait pas autant
Um milhão de rosas não perfumam tanto

Maintenant une seule fleur dans mes entourages
Agora uma só flor perto de mim

Me rend malade
Me deixa doente


Je ne veux pas travailler
Eu não vou trabalhar

Je ne veux pas déjeuner
Eu não vou almoçar

Je veux seulement l'oublier
Só vou esquecer

Et puis je fume
E então fumo


Je ne suis pas fière de ça
Não me orgulho disso

Vie qui veut me tuer
Desta vida que me consome

C'est magnifique être sympathique
É maravilhoso ser simpática

Mais je ne le connais jamais
Mas não sei como ser

Constatação

A maior hipérbole do mundo é um pleonasmo.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Enigma

Caro leitor fofo, tá sem nada pra fazer né? Tá a fim de fritar o cérebro? Pois então. Vá a este site http://decifra.me/ e se esbalde. É um site de charadas que é simplesmente viciante. São 20 enigmas bem legais. Mas se ficar preso na frente do computador sem conseguir parar para dormir (como eu), não me culpe.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Muita calma nessa hora

Calma gente. Sei que vocês todos têm estado preocupadíssimos com o meu presente de aniversário. Mas não há razão para pânico. Basta entrar na Vivara ou na H.Stern e escolher qualquer coisa. Sério, qualquer coisinha. Hehehe.

Para acalmar a todos e, assim, quem sabe, tranquilizar o mercado financeiro, segue uma listinha de sugestões:

- Uma ilha em Angra.
- Um helicóptero (pra chegar na ilha, lógico).
- Uma Grand Cherokee. Na verdade, duas por causa do rodízio.
- Um ano de passagens aéreas na primeira classe para onde eu quiser.
- Uma sandália Satine do Manolo Blahnik (tamanho 35)
- Um peep-toe do Jimmy Choo (tamanho 35)
- Uma bolsa Dior
- Uma paçoquinha Amor - por que eu gosto, ué.

-

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Estatísticas

Estou com 0% de espaço ocioso no meu saquinho.
*
O início de minhas férias foi postergado para janeiro. Isto aumentou em 86% as chances de um siricotico psicótico.
*
Eu mesma tomei a iniciativa de postergar minhas férias. O que aponta para 100% de chance de que eu seja uma pata.
*
(Aliás, definição de pato: um bicho que anda, nada e voa, mas não faz nada direito).
*
Faltam 16 dias para o fim do meu inferno astral. Isto representa apenas 0,04% do ano. Preciso manter isso em mente...
*
Estamos a 1 dia trabalhando sem acidentes com perda de paciência.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Obama e a hecatombe

Obama eleito. Clima de oba-oba. Aliás, por quê, hein? Até parece que fomos nós , brazucas, que tivemos a capacidade de eleger um presidente formado por Harvard, culto e articulado. Mas enfim.
Fiquei pensando no assunto e me bateu medo. Sim, medo. Pensa bem. Em todo e qualquer filme americano de hecatombe o presidente dos Estados Unidos é negro. Reparou? Aiaiai. O que vem por aí?

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aí sim

Eu acho que estou na merda. Após muito ajoelhar no milho me mandam um cara pra me ajudar. Então eu penso, legal, vai melhorar. Pois é. Daí descubro de um jeito muito escroto que o sujeito que deveria me ajudar fica falando mal de mim para minha equipe. Então melhorou: agora eu tenho certeza que estou na merda mesmo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Gepê

E corrida de Fórmula 1 é igual novela. Só interessa o comecinho e o final. O resto é groselha.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Licença maternidade de 180 dias

Sou contra a licença maternidade de 180 dias. Acho um contrasenso que as mulheres façam tanta questão de igualdade mas não se toquem que têm uma licença maternidade de 120 dias enquanto que os homens contam com míseros 7 dias. Por quê? Porque ser mãe é mais importante que ser pai? Porque o filho é mais da mãe do que do pai? Porque só a mãe precisa fortalecer os laços com os filhos? Ah, pára! É hora de mudar essa forma de pensar, pro bem dos nossos pimpolhos.
Proponho uma licença paternidade de 120 dias, a começar quando termina a licença maternidade. Funcionaria assim: o bebê nasce, a mãe entra em licença. Amamenta e tal, porque isso não tem jeito, tem que ser a mãe mesmo. Passados 4 meses, troca de guarda. Mamãe volta pro batente e o pai assume por 4 meses. Pesquisar escolas, introduzir sucos e alimentos sólidos. A criança fica 8 meses com os pais. Os pais aprendem a cuidar dos filhos e , por que não, se divertem e curtem seus filhos. As mães param de sentir que o filho é 100% reponsabilidade dela e que ninguém mais no mundo consegue cuidar da criança.
Todo mundo ganha e de quebra acaba aquela conversa de não contratar mulher porque ela pode ficar 4 meses fora.

sábado, 1 de novembro de 2008

Cara nova de novo

Lay out novo. O outro estava muito blé.

*

Sábado vem. Sábado vai. E a segunda-feira está sempre ali.

*

Estou em pleno inferno astral. Então o mês passado foi o quê, então? Ensaio? Céus....

*

Faltam 29 dias para minhas férias.

*

E você vê que a criatura está realmente desesperada por férias quando ela marca a dita cuja para dezembro, o mês mais mico para efeito de férias. Mas era isso ou o manicômio.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Breve intervalo

Olas. Entao. Ca estou para chutar as bolas de feno que andam rolando por aqui. E para dizer que preciso de ferias. E que a droga do teclado desconfigurou e nao consigo usar os acentos. E so.


*

E no trabalho, no meu trampo sagrado em que ganho a vida com o suor do meu rosto, vou aprendendo que nunca, jamais, em hipotese alguma deve-se duvidar de que as coisas poderiam piorar.

*

E por falar em ganhar a vida com o suor do rosto, queria deixar registrado que nunca queimei sutias, nem participei de passeatas feministas, nem exigi igualdade com os seres humanos da raca masculina. Portanto.... quero ser dondoca!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Notre Dame e a beleza

Há aproximadamente 6 anos fui a Paris e estive na catedral de Notre Dame. Um lugar lindo, muito emocionante mesmo para mim que não sou católica.
Tinha lido nos livros de história sobre a arquitetura gótica e sobre como os arcos em forma de ogiva tinham o objetivo de guiar nossos olhos para o céu e, assim, voltar nosso pensamento a Deus. Mas foi só estando lá e vendo os tais arcos para entender o que isto realmente significava. Os olhos são guiados para o céu, o pensamento vai para Deus e a alma..... parece se libertar do chão. Foi um daqueles momentos em que se percebe a importância da beleza. A beleza não como uma coisa superficial, supérflua, mas como algo que eleva o pensamento, limpa a mente e agrega valor à alma.
E que tem mistérios. Pois aproveitamos que estávamos lá e assistimos uma missa. Bem, eu odeio assistir missas. Odeio. Mesmo. Já falei que quando eu morrer não quero missa de 7 dia. Não adianta, porque eu não vou. E, se quiserem que eu ressuscite é só fazer uma missa de corpo presente. Sou capaz de levantar do caixão de desgosto. Só vou a missas quando alguém muito chegado morre e encaro isso como um sacrifício enorme que faço pela memória da pessoa. Porque assistir missa me causa um sofrimento quase físico.
Mas em Notre Dame, achei a missa bonita. Provavelmente porque não estava entendendo patavina do que o padre estava falando. E certamente porque não tinha gente tocando mal violão e cantando música brega com voz esganiçada. Talvez o padre até estivesse falando das atividades do grupo de senhoras. Ou que não era permitido estacionar atrás da igreja. Ou que não era pra comprar santinhos dos moleques da rua. Ou alguma outra pequenez do gênero. Mas, em francês eu não entendia nada e só apreciei a sonoridade das palavras, a cadência suave, e tive a impressão de que se tratava de um assunto elevado, pronunciado na língua dos anjos. Impressão reforçada pela música clássica, tocada em órgão, com leveza e riqueza de notas.
Fiquei, então, pensando se eu ia gostar mais de missas se elas fossem rezadas em latim. E se fosse proibido entrar na igreja portando violão. Provavelmente sim e sim.

*

E isso porque ando com fome de beleza. De ver, ouvir e mesmo sentir coisas bonitas. Acordo, vou ao trabalho e volto pra casa. Neste curto, curtíssimo, trajeto vejo ônibus e carros amassados, casas mal-cuidadas, ruas sujas, calçadas quebradas e estreitas e pessoas tristes e preocupadas, ouço buzinas, xingamentos, gritos, acusações. Ligo a TV e vejo o mesmo. O mundo cão, as maldades, as feiúras todas de todos os níveis. Meus olhos estão cansados. Meus ouvidos estão gastos. Vejo coisas bonitas também. Mas parecem ser pequenas ilhas no meio de um oceano de feiúra e sordidez.

*

Tenho sentido necessidade de beleza. De ruas arborizadas, com calçadas bem feitas. Casas com gramados bonitos e bem cuidados. Só isso significa tanta coisa. Que o dono da casa se importa com quem passa pela rua e, por isso cuida bem de sua calçada e enfeita seu jardim. Quem passa pela rua se importa com quem mora lá e não suja a rua, não estraga a calçada, não enfeia o jardim. Tão pouco. Tão importante.


*

Então beleza tem a ver com gentileza? Penso que sim. E com bondade também. Com generosidade, certamente. Beleza não é fútil. A apreciação da beleza nos conduz a atitudes melhores. E melhores atitudes fazem o mundo mais bonito. Uma espiral crescente, cada vez mais necessária num mundo de resultados, de objetividade, de praticidade. Coisas úteis, sem dúvida. Mas que perdem valor sem a beleza.