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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Valentine´s Day

Ontem foi Valentine´s Day. Costumamos comemorar esta data porque nosso aniversário de casamento é muito próximo de 12 de junho. Daí, pra não ficarmos desfalcados em uma data comemorativa, pegamos carona com o hemisfério norte, neste caso... O que é bom, não rola a muvuca que é o dia 12, é quase um dia dos namorados particular....

Bom, daí fui convidada por meu amor para saborear um jantar preparado por ele, que cozinha super bem mas raramente se aventura entre as panelas. Reconheço que a culpa é minha, que gosto de cozinhar e acabei transformando a cozinha em "meus domínios".

Teve um bucatini a putanesco (com "o" mesmo) que estava delicioso, cheio de azeite, azeitons, pistaches, tudo que eu gosto. Olha a foto:


E para sobremesa, providenciei o doce favorito dele: quindim, que cortei em forma de coração.... uóun....


Tá certo que ficou parecendo propaganda da sociedade de cardiologia, mas mesmo assim...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Porque gosto de futebol americano.


Lucas Oil Stadium:gigantesco, coberto, climatizado.

Nunca fui uma pessoa muito esportiva. Sempre passei raspando em educação física. Odeio suar. Sou uma perfeita pata choca sem qualquer noção de espaço. Sou capaz de marcar gol contra e ainda ficar comemorando. Sempre fui uma péssima jogadora: de vôlei, de futebol, de basquete (hahahaha!), de tênis de mesa, de handebol. Ficava sempre por último nas escolhas de time. Conseguia ser escolhida depois do garoto perneta. E as vezes o time preferia jogar com um a menos mesmo.

Então vocês entendem que eu tenha desenvolvido uma certa implicância com esportes no geral. Penso sempre que o esporte em si, é uma coisa boa, mas em mim, não! Nunca entendi a graça de ficar sentada na frente da TV vendo gente correndo atrás de uma bola. Chaaaaaato.

Mas tudo mudou há alguns meses, quando descobri uma inusitada paixão por futebol americano. Paixão mesmo, das brabas. De ficar esperando o domingo pra assistir um jogo.De ficar pensando como vou sobreviver até o início da próxima temporada da NFL. E por que raios eu fui gostar de futebol americano, hein?
Algumas hipóteses:

1. Tem alguma coisa de muito legal em ver um monte de homens se empurrando e se jogando por cima uns dos outros. Litros de testosterona rolando. Não se vê isso todo dia.

2. Tem estratégia, parece uma guerra, só que sem mortes e sem (muito) sangue.

3. Acho que qualquer esporte em que os atletas usem capacete e protetor para os dentes merece respeito. Exceto automobilismo que é um porre de chatice.

4. É um esporte democrático: tem atletas altos e esguios, tem atletas baixinhos (baixinho neste caso é 1,85m, né) e velozes, tem atletas velozes e parrudos, tem atletas grandes e pesados, tem até atletas gordos! Cada um com sua função dentro do time.

5. Quando alguém marca falta é difícil de identificar o que aconteceu. Porque vale quase tudo. Vale agarrar, segurar pela roupa, agarrar as pernas, trombar de frente, abrir caminho a cabeçadas, empurrar, pular em cima. Daí, os caras simplesmente se levantam e saem correndo para continuar jogando. Enquanto isso, no velho soccer, o cara dá um esbarrão no outro e já se joga no chão pra cavar uma falta e fica lá uns 15 minutos caído, rolando, chorando. Eu hein!

6. Uma partida tem vários juízes e eles não se acanham em discutir o que aconteceu. Levam o tempo que acharem necessário. Se um dos técnicos discorda da decisão, o juiz assiste a filmagem para tirar a dúvida e decidir de forma correta.

7. O caminho para entrar no esporte é pela escola. Ser um bom jogador no time do colégio e da faculdade e ter boas notas. Não vou nem me estender neste quesito porque vai dar vontade de chorar. Acho que isso diz muita coisa. Diz pelo menos que o esporte não é conivente com a burrice e a ignorância.

E agora, estou tentando escolher um time pra chamar de meu. Já que não tenho uma hometown team, meus critérios são os mais relevantes: uniforme bonito, jogadores bonitos e nome bacana. Nesta ordem.

No quesito uniforme bonito ninguém bate o San Francisco 49ers. Vermelho e dourado! Que de quebra são as cores da Grifinória. Gosto também do New England Patriots, com seu azul e prata. Mas agora é modinha torcer pra eles por causa da Gisele Bunchen. Então não. Não curto modinha. Ah, e tem o New Orleans Saints, preto e dourado. Chiiiiique.

Já no quesito jogador bonito, é Tom Brady (New England Patriots), não tem pra ninguém. Mas de novo, modinha. Tem o Tim Tebow, do Denver Broncos, quintessência de bom-moço, cristão, virgem e bem intencionado.

Nomes bacanas: Seattle Seahawks, Pittsburgh Steelers, Denver Broncos, San Francisco 49ers e NY Giants.

Mas, analiso e analiso e continuo sem time. Acho que essas coisas são emocionais mesmo. Enquanto isso, continuo assistindo os jogos de forma quase neutra. Como fiz nos playoffs e ontem, no Superbowl.

Eu meio que torci por alguns times, mesmo sem saber o por que. Foi o caso do Baltimore Ravens e do 49ers. E pelo Giants, no Superbowl. Aliás, que espetáculo, o Superbowl. Tudo organizadíssimo, pontualíssimo, com um show do intervalo com a Madonna simplesmente irretocável.

Não foi uma mera final de campeonato. Foi um espetáculo, uma catarse. Pelo menos pra mim, foi. Acho que o primeiro Superbowl ninguém esquece.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ratatouille: um prato progressivo


Ou, como gostar de legumes.

Eu amo beringelas. É uma das coisas que eu mais gosto de comer. Assada, no vapor, grelhada, frita, em conserva, no babaganuch e até crua. Amo. Abobrinhas, não amo tanto, mas gosto também. Cortadas bem fininho, refogadas com alho e misturadas com ovo batido, servidas sobre arroz com feijão. Comida de marmita, mas adouro!

E gosto particularmente de ratatouille, que pra mim é um prato progressivo. Explico: ele vai se transformando em coisas diferentes ao longo da semana, o que é uma mão na roda. Tudo começa com o ratatouille propriamente dito, que é um ótimo acompanhamento para qualquer carne. No dia seguinte, vc pode comê-lo frio, gelado, quente, morno, como preferir: ele continua muito bom. No outro dia, vc pode colocá-lo sobre uma fatia de pão e ele vai do café da manhã ao jantar neste formato, já que se vc torrar o pão, tem uma bruscheta dos céus. E finalmente, no final da semana, ele praticamente já virou uma sopa (se é que não acabou antes, em casa, ele nunca chega neste estágio, hahaha).

Fazer é fácil e eu ainda simplifiquei o processo, pulando etapas que julguei desnecessárias (sou rebelde). Segue o passo a passo:

Tudo começa com os ingredientes:


Beringela, abobrinha, cebola, pimentão, passas, ervas frescas. No caso, não coloquei pimentão porque não tinha na hora. Mas incluí no dia seguinte.

Daí, é fritar uma cebola cortada em pedacinhos e 2 dentes de alho em bastante azeite honesto.


Este é o melhor cheiro do mundo!

Quando as cebolas estiverem murchas, adicionar as beringelas e abobrinhas cortadas em cubos de 1 cm (mais ou menos, tá. Não precisa levar a régua pra cozinha, pelamor....).



Daí vem a parte fácil: mexer bem por alguns instantes, abaixar o fogo, tampar e deixar por um tempão. Desculpe, mas eu nunca medi o tempo, vejo se tá bom pelo cheiro mesmo. Mas vc pode ir lá xeretar a panela o quanto quiser. Fica bom quando os legumes já soltaram água, estão bem macios, a água apurou, secou um pouco e o que sobrou virou um caldo meio dourado. Assim ó:

Daí, se vc gostar de passas é só jogar um bom punhado por cima. E comer rezando!

Cupcakes e brigadeiros

Dia desses meu telefone toca.

- Oi Kelly, tudo bem?
- Oi, mulher! Tudo joia. E tu?
- Tudo ótimo. Olha, estou começando um negócio. Posso mandar uma amostrinhas no seu apartamento?
- Claro!

E fiquei na expectativa, esperando que o negócio não fosse uma fazenda de criação de insetos para consumo humano, ou uma fábrica de tijolos, ou de adubo orgânico, ou algo do tipo.

Para minha felicidade não era: eram cupcakes e brigadeiros deliciosos. E lindos. Olha só:


Reparou nas embalagens lusho e super glam? Notou o chiquê do lacinho preto? Os brigadeiros, só para sua informação eram trufados, mas se vc preferir ela faz também a versão cremosa, com chocolate de verdade. E a bandida fica me falando essas coisas como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo!

Por sorte, em duas semanas eu ia receber meus sogros, cunhados e sobrinhos em casa e queria arranjar uns docinhos legais. Não sou boa doceira, acho que não tenho nem a paciência e nem a delicadeza necessárias. Intonces, procedi a encomenda.

No dia combinado, minha amiga querida veio trazer meus cups, lindos e luxuriantes. Vai vendo:

As crianças piraram. Os adultos curtiram. Eu fiquei tentada assumir a autoria, mas mantive a ética. Alguns comentários dos comensais:

"Como alguém pode fazer uma coisa tão gostosa?" (Isabella).
"Maisi, maisi! Eu queio, queio, queio!" (Roger).
"Tiiiiiiiia, vc que fez????? (Pedro, com olhar de incredulidade).
"Posso pegar mais unzinho?" (Bibi, depois de comer uns 19...).

Super recomendo! Pedidos através de e-mail para bolo_de_copo@hotmail.com .

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Simplesmente Amor

Eu gosto desses filmes que contêm várias histórias, sejam elas interligadas ou não. Acho que é mais desafiante para o diretor prender a atenção com várias pequenas histórias do que com um único grande enredo. E acho que contar várias pequenas histórias é mais simples e despretensioso também.

(Para ver a resenha de outro filme com várias histórias que eu curti, clique aqui, se tiver mais de 18 anos).

E um dos meus filmes favoritos, que contém algumas das minhas cenas favoritas é Simplesmente Amor (Love Actually). Do mesmo diretor de Quatro Casamentos e um Funeral (outro filme que amo), fala sobre.... adivinha.... amor!


As histórias passam-se em Londres, e todas se relacionam de alguma forma. São histórias simples e lindas e só. Nenhuma pirotecnia, nenhum efeito especial, nenhuma reviravolta chocante. Só histórias de amor. Amor romântico, claro. Mas também o amor entre pais e filhos, entre irmãos, o primeiro amor, o amor impossível, o amor rotineiro.

Numa delas, um homem ajuda o enteado a se aproximar de seu primeiro amor, a menina mais legal do colégio. Isso, a custa de muitas aulas de bateria e muito incentivo a coragem do menino. Esta história teve a cena de aeroporto mais legal que eu já vi.

Em outra, uma moça recém casada vai na casa do melhor amigo do marido para pegar a fita com a filmagem do casamento. O amigo filmou a cerimônia e a festa, mas se nega a entregá-la. A moça vai lá, convencida de que o amigo simplesmente se ressente da intromissão dela na amizade dos dois e por isso a está boicotando. Depois de muita insistência, ela acaba roubando a fita e começa a assisti-la. Daí ela percebe que só ela aparece na fita. O amigo era apaixonado por ela desde sempre e acabou dando uma bandeira imensa... Climão. Alguns dias depois, o amigo vai na casa dos dois, dá um jeito de falar só com ela e faz a declaração de amor mais bonita, comovente, triste e inusitada possível.

Na minha favorita, um escritor sofre uma desilusão amorosa e se refugia numa casa no sul da França, para fugir da dor e para tentar finalizar o romance que está escrevendo. Chegando lá, a caseira já havia contratado uma moça que iria lá todos os dias, para cuidar da casa e cozinhar. Só que ela era portuguesa e não falava uma palavra de inglês. Já que o escritor não falava uma palavra de português, passaram ambos alguns dias calados. Mas, estavam tão isolados naquela casa que, meio sem perceber, começaram a conversar entre si, cada um em sua língua. Os diálogos mostravam o quanto eles viam as coisas de maneiras diferentes, mas também o quanto eles tinham em comum. Por exemplo:

- These muffins are delicious. Fortunately, I never gain weight...
- Tu deverias comer menos bolinhos. Já estás a ficar gordinho.

Este episódio tem também o diálogo mais bonito do filme. Todos os dias, ele a levava de carro até a estação de trem. Estavam no carro, ele dirigindo e ele diz:

- This is the best moment of my day: when I am driving, with you by my side.
E ela responde:
- Este é o pior momento do meu dia: quando vou embora e o deixo sozinho.

Uón... não é lindo?

Adoro esse filme, de quando em quando eu assisto de novo, só pra conferir...


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sou um mau exemplo

É o que dizem no trabalho. Que sou um mau exemplo. Motivo: como o que tenho vontade e faço o que tenho vontade. Mas daí, pensando bem, não dá a impressão assim de que eu sou na verdade um ótimo exemplo? rs

Vejam bem, obesidade é doença e foi meu fantasma por muito tempo. Agora, finalmente, me livrei dela. Mas nos meus termos: devagar e sempre. Porque, a essa altura do campeonato eu já acumulei experiência o bastante para saber que dietas restritivas funcionam a curto prazo. O que eu estou tentando conquistar é uma mudança gradual e definitiva. Não vou largar o regime milagroso assim que perder 10 kgs. Ao invés, estou mudando meu jeito de comer para encontrar o meu corpo ideal e este será meu jeito de comer para sempre.

E busco o corpo ideal para mim. O corpo em que me sinta bem, e não o determinado por alguma matemática burra, ou enfiado goela abaixo por um bando de fashionistas misóginos. Por que pra mim, a moça da esquerda, com suas muitas curvas será sempre mil vezes mais bonita do que a da direita com seus ossinhos.



E se vou mudar meu jeito de comer para sempre, não posso fugir do que gosto. Preciso, na verdade, aprender a conviver com os prazeres, sem cometer excessos. E é aí que o povo do trabalho simplesmente não me entende...

Eles não entendem que eu compre chocolate e deixe na mesa. Eles não entendem que eu saia para comer massa, feijoada, churrasco, fast food. Porque para eles essas coisas são sinônimo de pé na jaca. O que ninguém presta atenção é que eu como 1 quadradinho do chocolate por dia. Que eu não limpo o prato: só como o bastante para me satisfazer. A fome e a vontade.

Hoje tentei explicar isso e não consegui. Acho na verdade que nem adianta. O povo está na pegada em que eu me encontrava há uns 15 anos, fazendo dieta da lua, do sol, das estrelas, dos liquidos, dos solidos, dos gasosos, do abacaxi, da sopa, qualquer coisa que me desse o corpo perfeito. Ah, a idade... ela quase sempre enche o saco, mas a experiência que vem com ela compensa.

Graças a experiência, descobri que não quero perfeição. Quero felicidade. Mesmo porque a busca pela perfeição leva aquelas monstruosidades de botox e pernas de He-Man, na obsessão por uma vida sem nenhuma ruga e zero celulite. Não,não quero estas pernas:



Meu rosto hoje não é o mesmo de quando eu tinha 20 anos e ainda bem, ou eu seria ridícula. Hoje tenho marcas. Poucas, mas tenho, e cada uma delas conta uma história. Cada uma delas é prova de que não passei a vida incólume, mergulhada em loção antiidade. Tenho um plano para vida e ele é bem simples: viver.

A vida é curta e deve ser bem vivida. Gosto de viver e gosto de ter prazer. Gosto de comer bem, de ver coisas bonitas, de ouvir coisas agradáveis e de fazer coisas interessantes. O mundo anda bem feio, com pessoas egoístas e solitárias então, onde eu puder cavar um pequeno prazer, sim, vou cavar, vou pegar com minhas duas mãos e vou me deliciar,deixando inclusive o caldinho escorrer pelos cotovelos. Pode ter certeza.

E quando o tempo passar e a Idade chegar, ela vai me encontrar assim, se Deus quiser:

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pizza e torta de pêssegos

Ontem me baixou a Nigella. Deu vontade de comer pizza. Mas a MINHA pizza.
Pesquisei uma massa fácil. Tinha que ser fácil porque eu não queria criar um embate entre minha gula e minha preguiça. Eu hein!
Fiz e ela ficou assim: deliciosa! Durante este processo, percebi que tinha alguns pêssegos perdidos na minha geladeira, meio murchinhos, meio insossos. Sem pânico: resolvi fazer uma torta. Que ficou assim:

Ói que prendada?

Atualização:
Calma gente, calma...seguem as receitas:

Pizza fácil:

- 1 copo americano de leite gelado
- 1 colher de sopa de óleo
- ½ colher de sopa de açúcar
- 1 colher de sopa de fermento biológico granulado
- 1 pitada de sal
- 13 colheres de sopa bem cheia de farinha de trigo

Misture o óleo, o açúcar, o sal, o fermento e o leite, deixe descansar por três minutos. Adicione a farinha e misture bem. Estique a massa e coloque em forma de pizza e leve para assar até ficar levemente corada. Acrescente a cobertura que preferir e termine de assar.

Eu fui de mussarela, molho de tomate, um monte de manjericão e tomatinhos cereja.

Torta de pêssegos
Segui a receita de torta de maçãs do fantástico Da Minha Cozinha:

- 1 xícara farinha de trigo
- 75 g manteiga sem sal, gelada
- 2 colheres de sopa de açúcar
- ½ colher de chá de canela
- 2 colheres de sopa água (ou outro liquido - rum, vinho, leite, etc..)
- pitada de sal

Misture tudo até ficar homogêneo, enrole numa bola, embrulhe no papel alumínio e leve a geladeira por uns 30 minutos.
Abra a massa, recheie, asse e coma feliz.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz apocalipse


Acredito em ciclos. Acredito que tudo tem um propósito. Acredito que tudo que acontece com o universo acontece com cada ser. Acredito que você que está aí lendo essas linhas pela mais completa falta do que fazer está neste momento balançando a cabeça e pensando "mas essa Kelly viaja mesmo...".

E acredito que este finzinho de 2011/começo de 2012 foi para mim uma espécie de apocalipse pessoal. Da maneira como penso no apocalipse, é claro. Nada de meteoros caindo e exterminando a vida por completo. Penso no apocalipse como aquilo que é: revelação. E este período foi altamente revelador para mim.

Tudo tem se passado de maneira estritamente emocional, ou seja, pessoas que convivem comigo certamente não notaram nada e devem estar se pensando de que raios eu estou falando afinal de contas. Mas eu sei.

Tive medo. Tentei sufocar o medo. Isso foi como jogar água num gremlin. O medo virou pavor. Paniquei. Daí finalmente fiz o que deveria: deixei o medo fluir. Lembrei do Jack, em Lost falando de uma cirurgia em que houve uma complicação e ele quase perdeu a paciente. Ele se permitiu entrar em pânico por 3 segundos e depois foi lá e fez seu trabalho. Fiz isso. E isso foi altamente libertador. Olhei meu medo nos olhos e vi que ele nem era tão feio assim. Virei as costas para ele e ele silenciou. Não tentei mais sufocá-lo. Não o ignoro. Sei que ele está lá. Mas é só.

Recobrei a confiança cega que tinha em mim mesma. Ela estava largada em algum canto escuro do meu subconsciente e, depois de uma espanada, uma lavada e alguns remendos está quase como nova. Descobri isso, pois precisei dela.

Refiz laços que não estavam mais tão firmes, nem tão bonitos. Reescrevi papéis que não me serviam mais. Voltei a fazer planos e projetos que estavam engavetados.

Agora, olho para frente e ainda vejo uma névoa encobrindo o caminho, mas ao invés de sentir frio gelando os ossos e incerteza sobre o que está pela frente, sinto que é apenas uma cerração, o que é certeza de sol forte e um belo dia de praia.

Os eventos que marcaram meu apocalipse individual se perderam nos dias que se passaram e o que ficou foi a sutil e ainda assim profunda transformação que ocorreu. Não me sinto outra pessoa, mas sim a mesma melhorada. Uma Kelly 3.9, digamos assim.

E assim, desejo a todos em 2012 um feliz apocalipse. Que cada um possa ter a oportunidade de transformar suas fraquezas em forças e se tornar uma pessoa melhor e mais feliz.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Je ne sais pas

Não sei o que fazer para o jantar hoje.
Não sei se devo viajar.
Não sei para onde quero ir.
Não sei o que fazer amanhã.
Não sei qual o melhor caminho.
Não sei quantas horas de TV minha filha deve assistir.
Não sei se vai chover.
Não sei se quero sair de casa.
Não sei se tomo ou não remédio.
Não sei se meu filho tem alergia.
Não sei onde meu filho arranhou a testa.
Não sei como.
Não sei se é bom trocar as crianças de escola.
Não sei se é melhor escola pequena ou grande.
Não sei o que vem agora.
Não sei o que fazer para as festas.
Não sei a que horas dormir.
Não sei a que horas ir ou voltar.
Não sei como estou.
Não sei porque não sei.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Até que a morte os separe


Um amigo querido postou no Facebook algo sobre o tempo em que se casava pensando em ser para sempre, e em como o termo "até que a morte os separe" deixou de significar alguma coisa.
*
Sim, vivemos um tempo em que as relações se tornaram efêmeras. Não digo descartáveis, como se convencionou falar, porque não acho que os relacionamentos simplesmente deixem de existir. Acho sim, que eles se transformam muito rapidamente, como aliás, tudo neste mundo.
*
Amizade vira amor, amor vira ódio, admiração vira ressentimento, tudo rápido, rápido demais, na velocidade da informação.
*
Também, vamos combinar que prometer algo para sempre, seja lá o que for, é muito mais fácil quando a expectativa de vida é de 40 anos do que quando ela é de 80, 90 anos.
*
Também, mudamos muito menos em 40 anos do que em 80. Talvez, então, não tenhamos nos tornado imediatistas e volúveis e sim, vivemos o bastante para saber o que queremos e o que estamos dispostos a tolerar.
*
Acho também que a busca básica do ser humano mudou. Nos primórdios a busca era a sobrevivência. Passou mais tarde a ser a procriação, a multiplicação. Agora, a ciência já resolveu este nó. Contamos com muitos recursos para sobreviver. Contamos com muitas facilidades para procriar e para proteger a prole. Sobrou o que? Confrontar as insatisfações, buscar a felicidade que é mais do que o antônimo de infelicidade, entender o universo, encontrar Deus, conhecer a si mesmo. Molezinha.

sábado, 24 de setembro de 2011

Dia 30 - A book you haven’t read yet but want to

E assim chegamos ao fim do desafio 1 mes 30 livros. Gostei de fazer este desafio, pois me lembrei de alguns livros amados e que estavam escondidos no fundo da prateleira. Entraram na fila de releituras.... :).

Bem, o livro que ainda não li, mas quero ler.... são muitos, alguns recém descobertos, graças ao desafio, que andei acompanhando em outros blogs. Segue a lista:

- Freakonomics
- A Cruz de Morrigan
- Moby Dick
- Lolita
- Chamado Selvagem
- Dragonlance
- A Guerra dos Tronos (livro 2)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dia 29 - A book someone read to you

Nenhum também. Meus pais liam livrinhos infantis para mim, sim. Lembro das histórias de um cachorrinho chamado Estopa. Lembro de algumas historinhas japonesas. Mas eu era muito pequena para lembrar direito dos nomes dos livros ou dos autores. E, assim que aprendi a ler, me peguei nos livros e não soltei mais: eu mesma lia o que me interessava. Então... próximo!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia 28 - A book you can quote by heart

Credo, nenhum. Gosto de ler e tem coisas que leio repetidamente, mas mesmo assim, nao tem nenhum livro do qual eu possa fazer citações na boa. Lembro de partes legais, de cenas que emocionaram, mas citar trechos... não. Próximo!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia 27 - Favorite love story.

Este livro rendeu um filme lindíssimo e um prato de dia dos namorados fantástico. Na época em que o livro foi lançado, muitos restaurantes ofereceram codornitas em pétalas de rosas no jantar de dia dos namorados....



Como água para chocolate – Laura Esquivel


É a história de amor de Tita e Pedro, que se passa numa cidade do México que faz fronteira com os Estados Unidos, na época da revolução zapatista. Tita não pode se casar porque uma tradição familiar determina que a filha mais nova não se case, para cuidar da mãe. Pedro, desolado, resolve se casar com Rosaura, irmã de Tita, para poder ao penos ficar perto dela.
Tita, que sempre foi desprezada pela mãe, vive na cozinha, onde foi acolhida desde bebê por Nacha, a cozinheira do rancho. Lá ela foi criada entre os odores das ervas e molhos, junto ao calor do fogão e dos aromas dos tamales,dos chiles e dos chorizos. Quando Nacha morre, ela assume o comando da cozinha. Pedro traz então para ela um grande ramalhete de rosas vermelhas e causa uma crise familiar. Mamãe Elena ordena que Tita se livre das rosas, mas como?
Ela, então se lembra de uma velha receita pré-hispânica de codornitas com pétalas de rosas. Ela se machuca com os espinhos, e seu sangue, misturado com a emoção que ela sentiu ao ganhar flores pela primeira vez, causou uma alquimia tal na comida que todos que o provaram foram acometidos de uma intensa nostalgia pelo primeiro amor, ou de uma intensa paixão.
E assim segue a história. Tita e Pedro se amam, mas não podem expressar seu amor. O caminho encontrado é a comida, onde Tita pode extravasar sua paixão. Especialmente linda a cena em que Tita, é tomada de tal ternura pelo filho de Pedro que, mesmo sem nunca ter tido filhos, produz leite e o amamenta em segredo.
E cada capítulo abre com uma receita. Pena que sejam receitas antigas, de rancho, do tipo que descreve como vc deve matar a galinha para a receita ficar perfeita. Ou seja, impossivel de seguir....

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dia 26 - A book that makes you fall asleep

Puxa, vou ficar devendo. Não tem nenhum livro nesta categoria. Primeiro porque ultimamente eu tenho sido capaz de dormir até em pé.
O que chega mais perto são os livros que gosto de ler na cama. Neste caso, tem os livros sobre eneagrama, como O Eneagrama - as nove faces da alma de Richard Rohr e Andreas Ebert.
Eneagrama é um dos meus assuntos favoritos e ler a respeito é um grande prazer. Então gosto de ler na cama, num momento gostoso só meu, desfrutando a sensação do dever cumprido....
Para ver mais sobre enegrama, clique na tag Eneagrama ao lado.

sábado, 17 de setembro de 2011

Dia 25 - A book you used to hate but now love

Não tem. Nunca antes na história deste país teve um livro que eu destestava e passei a gostar. Mas tem o contrário, uma série que eu amava e deixei de gostar: As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley.
A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore

Lembro de ler este livro com uns 20 e poucos anos. Amei a série! Achei tão revolucionário, mostrar a história de Camelot e do rei Arthur pela ótica feminina e dando maior ênfase às mulheres! Achei tão incrível o relacionamento entre Morgana e Viviane, o poder de Gwenwyfar, o destino de Igraine e de Morgause....

Mas reli recentemente e, que decepção. Fiquei irritada com as inseguranças de Morgana, inconformada com a maneira como Igraine se recolheu, com os medos e arrependimentos de Gwenwyfar.

Achei curioso que eu tenha mudado tanto assim em 10 anos. Que eu tenha lido o mesmo livro, mas tenha acessado uma outra história, completamente diferente. Há 10 anos eu li uma história sobre mulheres fortes. E hoje, li uma outra, sobre como a baixa auto-estima e o excesso de importância concedida a opinião alheia podem destruir reinos e vidas.

Dia 24 - Favorite book series

Essa é fácil!

A Trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pulman: A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e a Luneta Âmbar

Esta série é sensacional. Já escrevi sobre ela antes (ver aqui).

Em A Bússola de Ouro, a história começa em um universo paralelo ao nosso. Ele se parece com o nosso, mas tem um toque vintage e é governado pela religião. Além do mais, as almas das pessoas são visíveis e ficam sempre por perto de seus "donos" na forma de animais, são os dímons. Os dímons das crianças não têm forma fixa e podem se transformar a vontade. Quando chega a maturidade, a forma do dímon se fixa. Uma pessoa nunca pode se afastar de seu dímon por muito tempo, ou por uma distância muito grande, pois isso causa um intenso sofrimento em ambos.
Lyra e seu dímon, Pantalaimon, moram em Oxford, com seu tio, lorde Asriel que é um professor e pesquisador. Um dia ele desaparece e o reitor da universidade entrega a Lyra um estranho objeto dourado: o aletiômetro, uma bússola que mostra a verdade. Lyra parte em direção ao norte, em busca de seu tio e de seu melhor amigo, raptado pelos Gobblers.

Em A Faca Sutil, a história começa num outro universo, estranho, duro e sem magia que é, surpresa: o nosso. Neste universo, Will, pouco mais de um menino, comete um crime para salvar sua mãe. Ele parte levando consigo uma estranha faca dada por seu pai, um explorador desaparecido e dado como morto. Em sua fuga, Will descobre que esta faca é capaz de abrir fendas na realidade, passagens para outros universos, porém, ela se quebra quando se pensa em algo que ela não pode cortar, como o amor. Will vai parar em outro universo, numa cidade Cittágaze, assombrada por terríveis espectros. Nessa cidade, Will conhece Lyra e junta-se a ela em sua jornada.

Em a Luneta Âmbar, vemos a guerra que se forma, com Lorde Asriel desafiando a Autoridade, e o real papel revolucionário de Lyra na história. Enquanto isso, a pesquisdora Mary Malone, descobre que deverá ser a serpente que tenta Eva e que deve ajudar Will. Em um outro universo paralelo, com criaturas amigáveis chamados mulefas, ela cria uma luneta com resina, que permite que ela veja o Pó, a partícula formadora do universo. A guerra termina de forma surpreendente e Lyra e Will precisam tomar uma difícil decisão.

Ufa, escrevi um monte e não disse nada. Esta história é complexa, rica, envolvente e merece ser lida com atenção. Entretenimento de primeira!

Dia 23 - The book you’ve read the most times

Depois de uma pausa forçada de 2 dias, estamos de volta com nossa programação normal.

Puxa, essa é difícil: o livro que eu li mais vezes..... acho eu é o meu favorito de infância, a coleção de Laura Ingalls Wilder. Primeiro, porque é meu favorito há mais tempo (e bota tempo nisso) e depois porque ele é muito relaxante, aconchegante, sossegante e tudo mais, o que o torna uma excelente leitura para antes de dormir.

Mas, pensando em algum livro que ainda não apareceu nesta lista, hum.... sim: (contém um micro spoiler)



Férias - Marian Keyes.

Esta é uma série também, porém com livros independentes entre si. Tudo começou com o livro Melancia, que contava a história de Claire Walsh, que foi abandonada pelo marido minutos após dar a luz a primeira filha do casal. Um livro muito bom, que consegue contar uma boa história com bastante graça e humor. E que revelava uma família engraçadíssima e altamente desfuncional: os Walsh.

Férias conta a história de outra das irmãs Walsh, Rachel. Rachel mora em Nova Iorque e a história é contada pelo ponto de vista dela. Um belo dia, ela exagera um pouco em algumas substâncias ilegais, passa mal e é internada pelos pais em uma clínica de reabilitação.

Como os pais delas são pessoas muito sem noção e incapazes de compreender as filhas, fica a impressão de que foi tudo um exagero enorme da parte deles, talvez um mal entendido. Mas a história vai evoluindo e vc vai vendo Rachel se descobrindo como toxicômana, pelos olhos dela. Foi muito interessante e um bocado chocante. Daí começa o processo exaustivo de reconstrução de Rachel.

Um livro que fala de um assunto espinhoso, de uma forma original e que termina de maneira otimista e construtiva.




quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Luluzinha dinner

Recebi algumas amigas queridas para jantar ontem. Jantar, bebericar vinho e rir muito.
Como queria curti-las, planejei um cardápio fácil, em que eu pudesse preparar o máximo de itens com antecedência apenas para finalizar na hora de servir.

De entrada teve drummet, camembert com geléia e berinjela com curry e mel.


A receita da beringela veio do Pimenta no Reino (receita aqui). A receita é mega fácil, do tipo que vc mistura tudo, põe no forno e vai cuidar da vida e eu a segui ao pé da letra (ó que obediente....).

O drummet (coxinha da asa) é mega fácil também. Seguindo recomendações de minha mãe, tempero o bicho só com sal, pra ficar sequinho e com a pelinha crocante. Ah, e pele de frango é coisa de Deus, tá! Afinal, a vitamina tá sempre na casca, certo :) ? Daí é colocar no forno até ficar douradinho, virando pra ficar por igual.

O camembert é mais que mega fácil. É colocar o queijo no forno só para amorná-lo. Daí, arranja num pratinho simpático e coloca uma porção generosa de sua geléia favorita por cima. Fui de damasco e de framboesa. E servir com torradinhas.

De prato principal rolou um macarrão com molho calabresa e um outro a caprese: mussarela de búfala, tomate, manjericão e azeite.

Sobremesa: um creme de brigadeiro mole com creme de leite, para mergulhar frutas e se lambuzar.

Dia 22 - Favorite book you had to read for school

Tive que ler este livro para o vestibular, mas serve, né?

A Ilustre Casa de Ramires – Eça de Queiros

Como foi uma leitura obrigatória e esses tempos pré-vestibular costumam ser tensos, eu tinha tudo para detestá-lo. Mas gostei!
O livro contém duas narrativas: uma sobre a vida de dom Gonçalo Mendes Ramires, um fidalgo português, e outra sobre a vida heróica de seu antepassado, Tructesindo Ramires. Esta última é um livro que está sendo escrito pelo próprio Gonçalo.
O que gostei neste livro foi da fina ironia com que são confrontadas a bravura e grandiosidade de Tructesindo contra a fraqueza e covardia de Gonçalo. Gonçalo, por outro lado, é uma metáfora de Portugal, que vive de seu passado de glórias.