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segunda-feira, 20 de abril de 2009

O dragão sutil

Preciso falar do dragão. Quando comecei meus 30 dias perfeitos, há menos de uma semana, descobri o monstro dentro de mim, que não quer que eu siga dietas. No começo, ele me atacou com dores de cabeça. mau humor e desânimo. Eu me sentia cansada, fraca e muito irritada.
Agora passou, felizmente. Fisicamente me sinto muito bem. Muito mais disposta e relaxada do que o normal. Acredito que me sinto mais disposta por não estar mais tão empanturrada de comida e mais relaxada por conta das endorfinas liberadas pela atividade física. Só posso dizer que a sensação é deliciosa.
Mas, não caio na tentação de pensar que o dragão desistiu. Olhando para trás, vejo que ele sempre esteva ali, me sabotando. Não só em dietas, mas em qualquer situação em que eu esteja ganhando mais controle, ou abrindo mão de controle. O bicho é esperto. Ele começa usando a artilharia pesada: dor de cabeça, mal-estar, desconforto. Quando não dá certo, ele parte para sutilezas: pequenas tentações, o pensamento de que um pequeno deslize não significa nada, de que a vida é curta. É mais difícil resistir a sutilezas. É mais doloroso também. Mas estou só começando e, se é pra cair em tentação, que seja amanhã.
É estranho e perturbador pensar que este dragão é uma parte de mim. De que maneira ele nasceu? Como eu o criei? Por que? Pra que? Não sei. Só sei que preciso pensar nesta dieta como um dia após o outro. Não pensar, só seguir o plano.

Dia Perfeito #4 - conclusão

Consegui passar pelo Dia Perfeito #4. Não enfiei o pé na jaca. Cumpri o plano de atividade física e ainda fiz mais 20 minutos de lambuja.
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Mais tarde eu posto as fotos das refeições de ontem.
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Com relação ao que eu planejava comer ontem, a única diferença é que eu troquei uma porção de carne no jantar por 1 oniguiri (bolinho de arroz) e tsukemono (conservas de pepino e beringela).
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Fiquei feliz e, quer saber, não foi tão sofrido quanto eu imaginei.
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Update: fotos!

Café da manhã

Almoço


Lanche da tarde




Jantar




domingo, 19 de abril de 2009

Dia Perfeito #4

É hoje! Domingo. O dia D. Dia de confrontar as tentações. De rosnar de volta pro dragão.
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Não vai ser fácil.
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Hoje vou a casa de minha mãe. Vai ter churrasco. Ela cozinha maravilhosamente. Meu pai ama entuchar todo mundo de comida. Eu sempre relaxo quando estou lá. Percebem? Então....
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Mas vamos lá. É difícil, mas não é impossível. Tenho ido bem até agora e, se eu não sucumbir hoje, vou conseguir sobreviver a terça-feira (aniversário da minha sogra).
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Vamos a estratégia: uma amiga vai me visitar a tarde na casa da minha mãe e eu preparei uma torta de figos e ameixas. Claro que vou querer comer um pedaço junto com ela. Então, preciso abrir espaço (notas) para isso nas minhas outras refeições.
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O plano:

Café da manhã: 1/2 pão francês + 1 colher de creme de ricota + café + adoçante. Valor: 50 notas. - ok
Lanche da manhã: 1 banana. Valor: 25 notas. - ok
Almoço: 2 porções de carne + salada verde. Valor: 100 notas. - ok
Lanche da tarde: 1 fatia média de torta de ameixa e figos. Valor: 180 notas. - ok
Jantar: 1 oniguiri + tsukemono. Valor: 35 notas. - ok
Ceia: 1/2 pao francês com maionese: 60 notas. - ok

Total: 450 notas
Atividade física: 58 minutos de caminhada/corrida.

sábado, 18 de abril de 2009

Dia Perfeito #3

Sábado. Este não é um dia crítico. A dona da cozinha ainda sou eu. Eu posso recusar a sobremesa e servi-la somente a quem pode comê-la (minha filha). Posso recusar guloseimas sem pensar em nada. Mas amanhã.... é domingo. Dia de ir na minha mãe ou na minha sogra. Duas cozinheiras fenomenais. Preciso pensar numa estratégia.....

O que comi hoje:

Café da manhã: 2 fatias de pão light + 1 e 1/2 colher de creme de ricota + café + adoçante. Valor: 60 notas. - OK
Lanche da manhã: 1 pedaço de melancia. Valor: 25 notas. - OK
Almoço: 2 colheres de arroz + 3 manjubas + 1 porção de peixe com leite de coco + 1/2 banana + salada verde. Valor: 150 notas. - OK
Lanche da tarde: 1 banana + 1/2 colher de creme de ricota + 1 bolacha cream cracker. Valor: 50 notas. - OK
Jantar: 1 porção do cozido de peixe com leite de coco + 1 copo americano de cerveja. Valor: 150 notas. - OK
Ceia: nada. Troquei junto com a sobremesa pela cerveja no jantar. - OK

Total: 435 notas.

Café da manhã:

Almoço:

Dia Perfeito #2

So far so good.
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O grande dragão interior continua me atormentando. Dor de cabeça e pensamentos libidinosos envolvendo uma barra de chocolate gigante, uma travessa cheia de torresminhos e um cheese-egg-bacon-salada-maionese com fritas e coca-cola normal. Mas continuo fingindo que não é comigo.
*
Este é o primeiro dia perfeito em que estou no escritório. O que significa... comer direito no bandejão. Isto não é exatamente difícil, embora envolva fundamentos de estratégia e experiência em garimpo. Com um pouco de jeito, passei batido pelos itens tentadores e engordativos (estrogonofe, filé de frango a parmegiana com fritas, hamburguer gordurento com queijo) e montei um bom prato com salada, legumes, arroz e salmão grelhado. E, incrível, fiquei feliz.
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O que comi hoje:
Café da manhã: 2 fatias de pão light + 2 fatias de presunto de frango + ½ colher de creme de ricota + tomate + rúcula. Valor: 75 notas.
Lanche da manhã: 1 maçã. Valor: 25 notas.
Almoço: 4 colheres de arroz + 1 porção de salmão grelhado + 2 colheres de cenoura e beterraba + salada verde. Valor: 135 notas.
Lanche da tarde: 2 fatias de pão light + 2 fatias de peito de peru defumado + ½ colher de creme de ricota + tomate + rúcula. Valor: 75 notas.
Jantar: 1 filé grelhado + salada verde + 1 mexerica. Valor: 95 notas
Ceia: nada: jantei um pouco mais tarde.

Café da manhã e almoço




Total: 405 notas. Atividade física: 30 minutos de corrida/caminhada.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O grande dragão interior

O ortopedista me liberou. Volto a correr!
*
Hoje foi o dia perfeito número 1. Um dia em que dormi direito, me alimentei corretamente e cumpri minha meta de exercícios. Estou orgulhosa de mim, mas constato que existe um dragão dentro de mim, um monstro furioso que odeia restrições de qualquer tipo.
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E olha que minha dieta não é uma coisa tão restritiva, estou apenas contando as notas de cada alimento. Posso tudo, chocolate, sorvete, torresminho. Só preciso contabilizar e cuidar para não ultrapassar as 450 notas diárias.
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Mas o monstro furioso dentro de mim não quer nem saber: restrição é restrição e ele investe contra mim com dor de cabeça e mau-humor.
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E eu bravamente resolvi ignora-lo. Ter um dragão dentro de si, vá lá. Virar um dragão, jamais!
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Dr Jou, meu santo médico acupunturista, me aconselhou a cortar os carboidratos. Eu levo a idéia em consideração, afinal, ele deve saber o que está falando. O homem é o protótipo da saúde perfeita. Alto, esguio, compleição atlética, bem disposto e bem humorado sempre. Se ele consome carboidratos de vez em nunca, isto deve funcionar, certo?
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Certo, mas vamos com calma. Eu já estou aqui travando uma batalha com meu dragão interior por conta de uma mera redução calórica. Não vou provocá-lo ainda mais logo de cara. Vou guardar a idéia de cortar carboidratos para quando chegar ao "platô", aquele momento em que fica mais difícil perder peso.
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Por enquanto, vamos lá! Partindo para o dia perfeito número 2.
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Segue a lista do que comi hoje (a partir de amanhã vou incluir umas fotos...):

Café da manhã: 1 mini-pão de leite + 2 fatias de peito de peru defumado + café com adoçante. Valor: 55 notas.

Lanche da manhã: 1 caqui. Valor: 25 notas.

Almoço: 4 colheres de arroz branco + 1/2 porção de carne + brócolis. Valor: 100 notas.

Lanche da tarde: 100 ml de leite integral + café + adoçante + 2 bolachas cream cracker. Valor: 65 notas.

Jantar: 2 colheres de arroz + omelete (2 ovos) + 4 colheres de cenoura sauté + salada verde. Valor: 100 notas.

Ceia: 100 ml leite integral + 1 colher de achocolatado light + 1 fatia pão integral light + 1/2 colher de creme de ricota: Valor: 90 notas.

Total do dia: 435 notas.

Atividade física: 44 minutos de corrida/caminhada: -322 Kcal

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Eita...

Faz 4 dias que estou com fome, gula, apetite voraz. Resultado: enfiei o dois pés na jaca simultaneamente, pisei na bola de futebol americano, escorreguei no tomate seco. Mas amanhã é um novo dia. Amanhã começam os meus 30 dias perfeitos, me comportando diretinho, me alimentando direito, dormindo bem e, se Deus quiser e o ortopedista permitir.... correndo!

Engraçado como nunca fui um bicho muito atlético. Gosto muito de dançar, muito mesmo. Mas só. Até que o bichinho da corrida me mordeu. Acho que viciei. Correr dá barato. E, nos últimos 30 dias, não tenho podido correr por conta de uma torção no tornozelo. Talvez isto explique a comilança dos últimos dias.

Mas deixe estar, jacaré. Estarei de volta aos trilhos amanhã!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Como ser linda

Não sei como ser linda. Até faço idéia, desconfio de algumas coisas. Mas, francamente, não sei. Ah, mas ela sabe. Como ser linda, glamourosa e inesquecível.

Não sei quanto a vocês, mas ando um tanto enjoada da beleza das atrizes, estrelas e etecéteras de hoje. Parece que elas tentam primeiro ser lindas e, só depois, talentosas. Ou talvez, ficar linda demande tanto trabalho, esforço, suor que isto tudo transparece e ofusque a beleza em si.

Sim, porque olhe só estas fotos da minha "ídala" Audrey Hepburn. A beleza simplesmente sai dos poros dela. A beleza entra em nossos olhos. A beleza sobrepõe-se a tudo, mas em silêncio. É uma beleza silenciosa, quieta, discreta. E, ao mesmo tempo, visível e impossível de ignorar.

Talvez o problema seja outro ainda. O conceito de beleza clássica tornou-se popular. Existem parâmetros exatos que definem um rosto como belo e perfeito ou não. Simetria entre os elementos. Uma determinada distância entre os olhos. Uma dada proporção entre os tamanhos dos lábios e do resto do rosto. Então, de repente, é isto o que importa. A perfeição dos meus traços. E dá-lhe cirurgia plástica.
Mas se inicialmente uma cirurgia era feita para corrigir problemas, atualmente elas são feitas para uniformizar os rostos. Ora, a perfeição é só uma. Se todos os rostos do mundo fossem perfeitos, eles seriam iguais. Que horror!
Agora, voltando aAudrey. Quem, olhando para ela, pensa em medir a distância entre suas sobrancelhas ou olhos? Ou o tamanho dos lábios? A beleza dela não dá margem a uniformizações. A beleza dela não dá margem a discussões. Nem a medidas.
E olha que sua vida foi difícil. Filha de uma baronesa (ou condessa? estou com preguiça de pesquisar....) holandesa com um inglês rico e distante, sofreu muito durante a infância com a ausência do pai e com a guerra. Durante a guerra, passou fome, ficou muito doente e quase morreu. Ajudou nas atividades de resistência aos nazistas. Correu perigo. Viu a morte. Tudo isso enquanto era adolescente.
Adulta e já vivendo em segurança nos Estados Unidos, não teve um começo de carreira dos mais fáceis. Sonhava em ser bailarina, mas foi desencorajada por sua professora, que era a melhor e mais respeitada da época. Esta reconheceu que, apesar de possuir uma boa técnica e ser determinada, Audrey não possuía "aquilo" que define uma grande bailarina. Sem rumo, sem sonho, trabalhou dançando aqui e ali, fazendo pequenas pontas. Até que foi descoberta.

Assisti a alguns filmes dela: Sabrina, A Princesa e o Plebeu, Cinderela em Paris, My Fair Lady. Não entendo nada de cinema, mas gosto de pensar que ela nem era uma atriz fantástica e que, por não sê-lo, muito de si mesma vazava para seus personagens. Ou seja, o carisma e o toque de encantamento em seus personagens teriam vindo dela mesma. Mas divago.
Ela teve uma vida intensa e fica a impressão de que ela sempre procurou ser verdadeira e fiel a si. Sua dedicação aos filhos e às causas sociais reforçam esta impressão.

E, finalmente, vejam esta foto. Quem, hoje em dia, em tempos de enlouquecimento em prol da juventude eterna, envelhece com tanta classe?

Bom, agora vou lá, fazer uma promessa para Santa Audrey Hepburn, padroeira das mulheres que querem ser lindas sendo quem são.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Pior do que eu imaginava.

Não, meus caros. Não é incentivo, nem é a crise e nem é contagioso. Pior. É causado por mim. Só pode ser. Senão, como a onda de babaquice conseguiu se expandir tanto assim, saindo do âmbito profissional e invadindo meu lar? Como?
E como eu, uma pessoa assim tão normalzinha comecei a trasnformar as pessoas ao meu redor em babacas da pior espécie? É uma coisa assim meio "Heroes", não? Você está lá, fazendo nada, admirando a divisória e, de repente, pumba!, conseguiu mover sua baia 5 centímetros pra frente.
Só que não tão legal, afinal, descobri ter um toque de Midas às avessas. Sh*t!

terça-feira, 24 de março de 2009

Estou perdendo alguma coisa?

Sério: está havendo algum incentivo para babacas? Porque de repente parece que todo mundo com quem eu trabalho resolveu ficar babaca. Assim, sem mais nem menos.
Ou será a crise que está deixando todo mundo estressado, infeliz e.... babaca?
É estranho porque lá costumava ser um lugar agradável para trabalhar. Agora, deusmelivrecredincruis.

Estou com medo: ou é incentivo, ou é crise ou é contagioso.... socorro.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Eu só quero chocolate..... filmes e livros deliciosos

Há muito tempo li um livro fantástico da Laura Esquivel: Como água para chocolate. Um livro maravilhoso que fala da alquimia da cozinha, da paixão pela comida, pela vida e pelo amor. Raramente encontro um livro romântico e sem pieguice. Pouco tempo depois, graças ao sucesso do livro, foi lançado o filme. Lindíssimo, sensível, super fiel ao livro.
A história é sobre Tita e Pedro. Eles se apaixonam loucamente mas não podem se casar porque Tita está presa a uma tradição familiar. Ela, como caçula, deve ficar solteira e cuidar da mãe, que a despreza. A Pedro sobra a alternativa de se casar com Rosaura, a irmã de Tita. Assim, ao menos, ele pode ficar perto dela. Esse amor próximo e impossível se expressa através dos pratos que Tita prepara. Toda paixão, raiva, frustração e desejo são extravasados através da comida e contagiam os sentimentos de todos. De repente, todos estão, de alguma forma, participando daquela paixão, recordando amores, relembrando perdas, vivendo.
*
Chocolate é um filme que eu assisto 20 vezes. Toda vez que estou zapeando e topo com ele, assisto de novo. Não contente, comprei o filme. É lindo. Juliete Binoche faz uma chocolatier de tradição. Todas as mulheres de sua família, aliás, melhor dizer linhagem, já que vivem solitárias, foram chocolatiers. Mas elas não se consideram doceiras. Elas curam as pessoas. Elas não vendem chocolate e sim alívio, alegria, esperança, fé. Sua avó era assim e sua mãe também. E nessa vida dura, solitária e nômade, porém livre, ela cumpre seu destino. De tempos em tempos, ela empacota todas as suas coisas, apanha o jarro com as cinzas da mãe, pega a filha pela mão e vai embora seguindo o vento em busca de outra cidade que precise dela. Lá, monta uma nova loja, enfeita, prepara delícias, salva pessoas. Até que conhece um cigano, pária como ela e se apaixona. Pela primeira vez, ela é quem precisa ser salva e acolhida. E sua vida muda.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ben Linus

E assistindo Lost dia desses me deparei com uma revelação: todos nós temos um Benjamin Linus em nossa vida. Alguém a quem acabamos sempre dando ouvidos, mesmo que a experiência já tenha mostrado que isso não dá certo. Normalmente este Ben Linus é aquela vozinha no fundo da sua mente que sempre diz que não vai dar certo, você não é bom o bastante, que está tudo ruim. Xô, passa fora!

terça-feira, 3 de março de 2009

Crise

Não, não é a crise financeira. Comparada com a minha crise pessoal, a crise financeira mundial é um passeio pela praia.
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Nada de mais, nenhum super motivo. Só estou de saco cheio.
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De que? De tudo. Primeiramente de mim.
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Sabe a adolescência? Quando você se acha capaz de tudo? Onipotente, onisciente, onipresente, quase um deus? Então, estou vivendo uma anti-adolescência. Não sei nada, não posso nada, não estou em lugar nenhum. Não sou nada.
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Há muito pouco tempo, o pensamento de que não sou nada era reconfortante. Eu me sentia em paz e segura com este pensamento. Mas agora....
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Não quero falar, não quero ouvir, não quero conversar. Quero ação, movimento.
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Queria paixão, intensidade. Queria me sentir viva de novo, se for possivel.
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É, é uma bosta. Mas passa. Acho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Neste calor, nada como uma sopa.... gelada

Cheguei em casa dias destes, me arrastando, derretendo, me desfazendo em suor. Estava com fome, mas não conseguia nem pensar em comer. Então lembrei de uma receita japonesa. Juro que tem um nome, bonito e tchans, mas eu, japonesa torta que sou, não lembro. Fazer o que?

Bom, vamos a sopa:

Tudo começa com um caldo, feito com água, hondashi (um caldinho em pó que você acha em qualquer supermercado), shoyu e legumes. Meus favoritos são bardana e cenoura, mas na falta da bardana foi um shitake que tava dando mole na geladeira. Mas, na boa, só cenoura funciona, abobrinha funciona, vagem idem. O importante é não colocar carne neste caldo, porque senão na geladeira acaba formando uma camada de gordura e/ou gelatininha que não apetecem. Quantidades e proporções, fico devendo porque nunca meço nada quando faço este caldo. Mas não tem segredo: a coisa é visual e depende do gosto de cada um. Coloque shoyu até ficar com uma agradável cor dourada. Hondashi, um envelopinho. Legumes, a vontade, picados bem fininho. Os ingredientes são tão gostosos que não tem como ficar ruim. Vai com fé.




Enquanto o caldo vai fervendo em fogo baixo e tomando gosto, cozinhamos o macarrão. Aí cabe uma ressalva. Para a sopa gelada, gosto do macarrão fininho, de somen. Só que não tinha na despensa, então fui do mais grossinho, de udon. É o mesmo macarrão, só muda o formato. De novo, super fácil de acahr em qualquer supermercado. Se estiver difícil de achar, pergunte pro primeiro japonês que passar na sua frente. Ele vai saber.
E é só cozinhar como qualquer outro macarrão. Só não adicione sal nem óleo, se você faz isso com seu espaguete de domingo.
Quando estiver pronto, escorra a água quente e encha a panela de água fria (de preferência gelada).



Bote tudo na geladeira e vá cuidar da vida. Na hora de comer, monte sua tigelinha assim: um punhado de macarrão escorrido, misturinhas e uma concha do caldo com legumes. Misturinhas são qualquer coisa que você tiver em casa e apetecer no momento. Pode ser carne grelhada em lasquinhas. Cebolinha picadinha. Tofu em cubinhos. Omelete em tirinhas. Deixe sua criatividade falar alto. O meu foi de frango grelhado, pepino e cebolinha.
Fácil, rápido, leve, nutritivo, refrescante e saboroso.
E, o melhor, pode ser feito com antecedência.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Kelly Simpson

Olha só eu caracterizada como personagem dos Simpsons! Quer fazer o seu? É fácil e divertido. Tire uma foto digital em close de seu rosto e vá para simpsonizeme.com. E depois me mostra como ficou hehehe.



(Valeu, Pablo!)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...eu sou do camarão ensopadinho com chuchu....

Tudo começou dia desses, numa corrida muito rápida até a feira. O peixeiro é um gênio e ele deu pra montar umas bandejinhas de camarões médios, fresquíssimos, já limpos e gloriosos a 10,00. É uma quantidade bem satisfatória o que significa bom custo benefício e trabalho zero. Eu amo frutos do mar e bons negócios, então.... Olhei bem para aquelas bandejinhas, lembrei dos lindos chuchus que tinha acabado de comprar e aquela musiquinha da Carmem Miranda começou a tocar na minha cabeça.... Levei os camarões e fiz o tal camarão ensopadinho com chuchu. Delícia e mais fácil impossível. Inspirada pelas Rainhas do Lar, fotografei o passo a passo que segue abaixo.



Primeiro, os ingredientes: o chuchu lindão, o camarão frescão e meu molho de tomate puro e integral que tenho sempre congelado na minha geladeira. Ah, e o coentro, claro.



Em seguida, temperei os camarões com limão a gosto e com coentro bem picadinho. Em seguida, piquei o chuchu bem pequeno. A lá os dois esperando a panela bem bonitinhos.



Daí refoguei alho e cebola sem os quais nada é possível. Este é o melhor cheiro do mundo, alho e cebola fritando num bom azeite.



Com o alho e a cebola douradinhos, juntei o chuchu e o molho já devidamente descongelado e refoguei lentamente, enquanto bebericava uma cerveja, que ninguém é de ferro. A foto da cerveja vou ficar devendo.


Quando o chuchu ficou tenro e todo gostosão, juntei os camarões, adicionei sal a gosto e deixei eles se entenderem em fogo baixo.


Daí foi rápido porque, camarão, ficou rosa, tá cozido, tá macio, tá suculento, tá tudo de bom.



E, final feliz, servi assim, na tigelinha, com arroz branco.


E ouvindo Carmem Miranda cantando Disseram que eu voltei americanizada...
E disseram que eu voltei americanizada
Com o "burro" do dinheiro, que estou muito rica
Que não suporto mais o breque de um pandeiro
E fico arrepiada ouvindo uma cuíca

Disseram que com as mãos estou preocupada
E corre por aí que ouvi um certo zum-zum
que já não tenho molho, ritmo, nem nada
E dos balangandãs já nem existe mais nenhum

Mas p'rá cima de mim, p'rá que tanto veneno?
Eu posso lá ficar americanizada?
Eu que nasci com samba e vivo no sereno
topando a noite inteira a velha batucada

Nas rodas de malandro, minhas preferidas
eu digo é mesmo "eu te amo" e nunca "I love you"
Enquanto houver Brasil... na hora das comidas

eu sou do camarão ensopadinho com chuchu!
Ah, no dia seguinte o (pouco) que sobrou virou risoto. Mas isso é outra história.

Quando Nietzsche chorou (e eu também)

Imagine Nietzsche conversando com Josef Breuer, médico vienense cuja amizade com Freud deu forma a psicanálise. Imaginou? Imagine ainda que esta conversa seja sobre as angústias de Nietzsche, seus medos, dúvidas, inseguranças. Imagine também que, para poder ajudar Nietzsche o próprio Breuer exponha seus medos e angústias. Parece bom, não é?
Eu também achei. Até relevei o fato de que tal conversa muito provavelmente nunca ocorreu de verdade (pelo menos não consta da biografia de nenhum dos dois). Ou seja, trata-se tudo de uma grande licença poética tomada por Irvin Yalom em prol de uma boa história.
Mas, e aí temos um grande "mas", a idéia toda não decola. Motivo: falta de angústias adultas e que possam ser levadas a sério. Explico. No final das contas e muito resumidamente a grande angústia de Nietzsche é só e tão somente medo de ser traído. Isso mesmo. A grande angústia do maior filósofo do século 19 é.... medo de ser corno. Conversa vai, conversa vem e o que fica cada vez mais claro no livro é a paixão de Nietzsche por Lou Salomé. Nietzsche a pede em casamento, ela diz não (afinal casar é uma coisa muito burguesa), Nietzsche fica deprimido e angustiado e reage afastando e ofendendo Lou Salomé. E não, Nietzsche não tinha 15 anos na época.
Se Nietzsche sofre de dor de corno, doutor Breuer sofre da síndrome do tiozão. Ele tem lá seus 40 e poucos anos, casado, 3 filhos, esposa bonita e compreensiva. Mas se sente intimidado pela mulher e desenvolve paixonites por suas pacientes jovenzinhas e desequilibradas para fugir dos problemas domésticos. Uma delas o chama de "paizinho". E ele gosta. Sério. Verdade. Ele sofre porque se sente ligado a uma paciente chamada Bertha que encontra-se claramente perturbada. Ele se encanta pela fragilidade e dependência de Bertha, depois se encanta pela juventude e ousadia de Lou Salomé, depois se encanta pela liberdade de Nietzsche. Se a história se passasse nos dias de hoje, doutor Breuer compraria uma moto e faria uma tatuagem e um pírcim.
Fiquei o livro todo esperando uma reviravolta, a revelação de uma grande angústia existencial debaixo de toda esta bobagem adolescente. Mas nada. Era só isso mesmo. No final, Nietzsche chora e reconhece sua dor. Breuer o convence de que corno não existe, é só uma coisa que puseram em sua cabeça. Breuer reconhece que Bertha tem problemas sérios, que a culpa por suas insatisfações não é de sua família e resolve investir no seu relacionamento com a esposa. E fim.
No final das contas, fico aliviada de que este livro é ficcional. De que toda esta bobagem nunca aconteceu. Assim posso seguir admirando Friederich Nietzsche.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Turismo no quintal

Estou de férias. Mas, por uma série de razões, não vou poder viajar. Resolvi, então, explorar minha própria cidade, fazer turismo na velha e boa São Paulo.
Como é férias, minha filha estava na vovó e tal, acordei tarde, fiz tudo beeeeem preguiçosamente e saí de casa na hora do almoço. Daí, comecei o passeio pelo almoço mesmo que foi, também, uma recordação: o filé a Osvaldo Aranha do restaurante Pateo do Collegio. Costumava degustá-lo no almoço quando trabalhava por aqueles lados e nunca mais achei um que fosse tão bom. Segue uma fotinho, pra vocês ficarem com vontade. Nham!










Depois, fui para o Pateo do Colégio própriamente dito, passando pelo Solar da Marquesa. Nunca imaginei que houvesse um café tão simpático e aconchegante dentro do Pateo. Uma deliciosa ilha de sombra e silêncio.
Perambulei por um tempão pelas ruas do centro, sem rumo, sem objetivo. Só andando. Absorvendo a cidade que um dia me absorveu. Quando eu era criança, meus pais faziam compras por lá. Mappin, Mesbla, lojinhas. Almoço no Xangai ou no Pelicano. Comprar canetas e grafites no camelô. Hoje, está tudo diferente e está tudo igual. É como um quadro com a moldura trocada. É completamente diferente, mas ainda a mesma coisa.

Quis entrar no Teatro Municipal. Imaginei que houvesse visitas guiadas, a exemplo do que tem no Teatro Colon em Buenos Aires . Não achei sequer a entrada, pois a lateral estava em reforma, fechada por tapumes e a frente estava interditada, tomada por mendigos.

Exausta, e sem ainda ter ido a Catedral da Sé, fechei o passeio com uma visita a Igreja de São Bento e comprando Benedictus no mosteiro.

Senti falta de informações turísticas. Indicações, mapas de bolso, mapas nas ruas. Passeios, visitas. Penso que tudo isto seria uma forma de trazer dinheiro para a cidade. De resto, estava tudo lá. Pessoas lendo a sorte no Viaduto do Chá. Camelôs vendendo os mesmos brinquedos no Viaduto da Santa Ifigênia. Pessoas carregando sacolas gigantescas. Mendigos. Muita e muita gente trabalhando, andando apressada sem olhar pro lado. Músicos de rua. Minha cidade.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Grandes verdades

* Penso, logo me engano
* A preguiça é a mãe do progresso
* É mais fácil acreditar no impossível do que no improvável
* O pássaro madrugador é que consegue a minhoca suculenta
* Por outro lado, é a minhoca dorminhoca que escapa do pássaro madrugador
* Todos buscam a felicidade, mas ninguém sabe pra que
* Envelhecer é uma droga mas a alternativa é ainda pior