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sábado, 30 de agosto de 2008

Homo Burocraticus

A vida no planeta Terra evoluiu, partindo das amebas até culminar com o Homo Erectus e o Homo Sapiens, categoria à qual a maioria de nós pertence. Porém, ultimamente tenho observado um novo espécime: o Homo Burocraticus. Extremamente parecido com o as duas espécies anteriores exceto por pequenos e significativos detalhes.
Fica ereto, como o Homo Erectus, porem sua espinha se dobra muito mais facilmente. Diria-se até que sua espinha seria feita de borracha em lugar de ossos.
Pensa, como o Homo Sapiens e, como ele, é capaz de atividades criativas. Porém, enquanto o Homo Sapiens usa sua inteligência para criar ferramentas que o ajudam a sobreviver, o Homo Burocraticus inventa planilhas e gráficos para justificar e acompanhar a criação das ferramentas. Eventualmente, ele acaba solicitando ajuda de algum Homo Sapiens para criar alguma ferramenta que o ajude a gerenciar suas planilhas. Mas para isso ele acaba criando mais 9 planilhas e 3 formulários.
Um típico Homo Burocraticus é como um vógon, povo extraterrestre descrito no fantástico "Guia do Mochileiro das Galáxias", de Douglas Adams: incapaz de salvar sua própria mãe se não tiver um formulário preenchido e assinado com firma reconhecida, em quatro vias. Um típico Homo Burocraticus pára para pedir informações até em queda livre.
O Homo Burocraticus nunca resolve problemas: ele escala. O homo burocraticus pratica gerundismo mesmo sem conjugar o verbo no gerúndio. Na boca dele, todo e qualquer verbo, em qualquer conjugação, sempre vira gerúndio.
Como o Homo Burocraticus veio depois do Homo Sapiens, ele parece ser uma evolução da raça humana. Mas pelo que se pode observar dele.... sei não. Desconfio que estamos voltando às amebas.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Do que as mulheres gostam

Entrou aqui uma pessoa via Google procurando por "coisas que gostam as mulheres". Como achei fofo e não gosto de decepcionar ninguém, aí vai uma lista de coisas que as mulheres gostam:

1 - Chocolate
2 - Ser compreendida
3 - Discutir a relação
4 - Discutir qualquer coisa
5 - Sentir-se segura
6 - Ter frio na barriga
7 - Ter seus pensamentos lidos
8 - Ter seus segredos (pois é, vai entender...)
9 - Champanhe rosé
10 - Conversar com amigas
11 - Ver vitrines
12 - Comprar sapatos
13- Comprar bolsas
14 - Rúcula e tomate seco
15 - Pêssegos, morangos, cerejas
16 - Perfume
17 - Massagem
18 - Jóias (dã!)
19 - Flores
20 - Daiquiri
21 - Caipirinha de sabores esdrúxulos
22 - Banho de espuma
23 - Ser mimada
24 - Free shop
25 - Gilmore Girls
26 - Drama
27 - Brad Pitt
29 - Musicais
30 - Balanças quebradas que mostrem 10 kg a menos

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Coisas que li - parte 7

Dia 28 de agosto, as 22:00, começa a nova temporada de The Tudors, na People&Arts. Ufa. Aleluia! Enquanto isso, mato minha vontade de assistir lendo sobre o assunto.

Como já havia postado antes, li “A Princesa Leal” de Philippa Gregory. E gostei muito. Desta vez, foi a vez de “A irmã de Ana Bolena”. Que eu não sabia que era o livro em que foi baseado o filme “A outra garota Bolena”.

O que gostei em ambos os livros foi o trabalho de pesquisa. Claro que é um romance e que os fatos históricos fazem concessões em prol do enredo. Mas ainda assim, os costumes e lugares são bem retratados e os personagens, bem construídos. Recomendo. Mas agora vou dar um tempo nos Tudors. No começo do ano eu havia decidido dar um tempo na temática árabe/talibã e consegui. Agora, chega de Tudors. Tudors só na TV.
Se alguém tiver alguma sugestão de livro, manda! Pelamordedeus, só não vale romance espírita.

domingo, 24 de agosto de 2008

Disney e algumas considerações

Fui a Disney no ano passado. Amei. Mais do que eu imaginava. Achei que a viagem seria para minha filha e que eu e meu marido íamos somente acompanhá-la. No fim das contas, não sei dizer quem curtiu e se emocionou mais.
Tudo tem qualidade. Todos os detalhes foram planejados. Tudo funciona a perfeição.
Adoro viajar, e faço questão de variar sempre os destinos. Mas no caso da Disney, tenho uma enorme vontade de voltar, e muitas vezes.

Ficando
Primeiramente o hotel. Ficamos dentro do resort, no hotel mais baratinho: o Pop Century. Maravilhoso. Perfeito para quem está com crianças pequenas e não quer saber de frescura. No lugar de restaurantes sofisticados, tem uma praça de alimentação, com cinco mini-restaurantes de fast food e uma boa área de self-service.
Os restaurantes me surpreenderam pela presença de opções saudáveis, o que se repetiu dentro dos parques. Para mim, após umas 3 viagens para lá a trabalho, Estados Unidos são sinônimo de praticidade e de comida calórica (deliciosa, tentadora, mas ultra-calórica....). Nos restaurantes haviam, claro, os indefectíveis hambúrguer-fritas-pizza. Mas tinha também umas opções muito boas de salada, massas, comidinha caseira (peito de peru com purê e cenourinhas, por exemplo). O cardápio infantil tinha sempre um prato quente com acompanhamento e 2 opções a escolher entre pudim de chocolate, uvas, gelatina, cookies e palitinhos de cenoura. E dava direito a uma caixinha de leite.
Na área de self service tinha uma grande variedade de frutas frescas cortadas em potinhos, cereais, leites, sanduíches prontos, tudo em porções individuais. Mais prático impossível.
O hotel é limpíssimo, organizadíssimo, bem pensadíssimo. É um monstro de tão enorme, com 3 piscinas grandes e climatizadas e projetado de tal forma que todos os quartos têm vista para alguma opção de lazer ou para o lago. O quarto é pequeno para o padrão americano, mas normal para o padrão brasileiro. Tinha um playground muito bonitinho e um outro, aquático do Pateta.

Ir e vir
Dentro do resort há linhas de ônibus, monotrilhos, barcos para chegar aos parques. Os sistema é extremamente eficiente e pontual. Saíamos dos parques na hora do fechamento, junto de uma verdadeira multidão que se dirigia para o ponto dos ônibus. Eu pensava “vamos pegar uma fila enorme....”. Surpresa: tínhamos que esperar no máximo, pelo próximo ônibus. E isso porque, com a Bebella dormindo no colo e nós caindo de cansaço, queríamos ir sentados. E esperar pelo próximo ônibus significava esperar menos de 10 minutos.
Os ônibus foram todos preparados para atender dignamente portadores de deficiências. E não só os ônibus, mas também os funcionários. Atenciosos sem ser condescendentes.

Parques
São quatro: Magic Kingdom, voltado a fantasia, Epcot Center, uma homenagem ao planeta e à tecnologia, MGM Studios, cuja temática é o cinema e Animal Kingdom, voltado à natureza e ao mundo animal.
Os parques são todos maravilhosos. Os shows de encerramento são todos um desbunde. Tudo segue o tema do parque nos mínimos detalhes. Tudo brilha de tão limpo. As filas funcionam, o fast pass funciona, os agendamentos funcionam. Quase não se vê funcionários circulando. Nada que o remeta de volta a feia realidade. Lá tudo é sonho e fantasia. Fuga da realidade? Pode ser. Mas era justamente o que eu estava precisando nas férias.
Os shows são todos pontuais e absurdamente caprichados. O figurino é impecável, as fantasias parecem ter sido feitas ontem.
Não se vê personagens perambulando de lá pra cá. Quando você vê algum personagem ele está sempre acompanhado por algum funcionário e está se dirigindo até o local de autógrafos. Depois dos autógrafos, ele se despede e.... a impressão é que eles somem numa nuvem de fumaça ninja. Mágica.

Planejamento, preparação, execução

Li um livro sobre a Disney na faculdade. A matéria era administração e o livro “Nos Bastidores da Disney”. Comecei a ler de má vontade, como sempre acontece quando leio por obrigação. Sou rebelde. Mas fui pega na segunda página e não consegui largar mais o livro, como raramente acontece quando leio por obrigação. O livro quebrou minha rebeldia, quem diria?
O livro fala sobre o detalhismo e o culto à perfeição que guiam os parques da Disney e que lições eles representam para o mundo dos negócios. Afinal, se alguém consegue administrar e fazer funcionar com tal perfeição um parque, que tal aplicar estes conceitos para administrar um hospital? Ou uma escola? Ou um país?
Duas passagens foram especialmente memoráveis. O sujeito que apresenta a Disney para um grupo de administradores pergunta: qual é o concorrente da Disney? Eles respondem prontamente: os outros parques dos Estados Unidos. Não, errado. Todos os parques do mundo? Não. Todos os empreendimentos de lazer? Não. Cinema, televisão, teatro? Não. Resposta certa: toda e qualquer empresa de todo e qualquer setor ou país com o qual o seu cliente possa eventualmente te comparar. E não é? Sem perceber, eu comparo o SAC de uma empresa com o telemarketing de outra. Eu comparo o atendimento do garçom com o da vendedora de sapatos. Eu comparo a pontualidade do técnico da TV a cabo com o do corretor que vende meu apartamento. A cabeça do cliente funciona assim e uma empresa de sucesso se prepara para ser comparada com todas as outras e superá-las.
Outra passagem é quando o sujeito explica que os funcionários são todos treinados para entender o cliente. Óbvio, não? Mas ele ilustra a idéia com um fato que ultrapassou o óbvio. Um senhor perguntou a um funcionário a que horas começaria a parada das 3:00. Pergunta besta. O que você responderia? Pois o funcionário conseguiu perceber o que o cliente queria saber de verdade e não havia conseguido perguntar. Ele respondeu: “começa pontualmente, porém, para conseguir bons lugares é preciso chegar 40 minutos antes”. Genial. Qual foi a última vez em que você, como cliente, foi tratado assim, com presteza e boa vontade?

E por que isso hoje?
É que acabei de voltar do Princesas on Ice, no Ginásio do Ibirapuera. Fui achando que ia ser um showzinho e só. E foi um desbunde ao estilo Disney. Começou pontualmente as 11:00. Eu tenho este lance com pontualidade que não deixa de ser um certo ranço nipônico, algo do qual normalmente não gosto. Mas o fato é que, eventos para crianças precisam ser pontuais. Discorda? Pois tente manter uma criança ansiosa de 4 anos sentadinha numa cadeira por 15 minutos. Então.
Tudo tão lindo e perfeito que deu vontade de chorar. Tudo bem que eu choro até com comercial de sabão em pó, mas mesmo assim. Figurino lindo, detalhado, perfeito. Ganchos interessantes, detalhes importantes e difíceis sendo resolvidos com criatividade e inteligência. Lindo, lindo, lindo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Acupuntura

Acabei de voltar da acupuntura.
Estou me sentindo uma nova mulher. A agitação de ontem dissolveu-se no ar ao toque das agulhas mágicas do dr. Jou.
Estou até meio zureta. Acho que a agitação, o stress e a ansiedade eram tamanhos que, agora que eles se pirulitaram, estou meio vazia. Com espaço interno, sabe como é?
Minhas costas que estavam duras, feito uma carapaça estão até relaxadas. Meu maxilar idem. O couro cabeludo idem (sim, queridos, meu couro cabeludo estava tenso).
Funciona assim: primeiro passa-se por uma consulta com o dr Jou. Ele segura seus pulsos e, depois de alguns instantes descreve seu temperamento e sua vida com precisão. No meu caso ele disse: "hum... calma e passividade exterior... por dentro ansiedade borbulhante como um vulcão... hum...". Quem me conhece, sabe que o homem acertou. Depois, marca-se a sessão, que pode ser semanal, ou diária, dependendo da necessidade. No meu caso, semanal, portanto não sou um caso perdido.
Cada sessão dura 1 hora. Você chega, é levado até uma salinha fechada e com toda a privacidade. Fica só com roupa de baixo. Deita confortavelmente numa cama. Depois de um tempo, dr Jou chega, e espeta as agulhas. Uma aplicação nunca é igual a outra. Depende do que você precisa no dia. Ele acende uma meia luz e você fica lá, sozinha e tranquila, parecendo um ouriço e ouvindo uma musiquinha relaxante. Não dói e a sensação é ótima. Você dorme, baba, ronca, na boa. Ao fim dos 60 minutos, entra um outro médico, faz uma aplicação de moxa e retira as agulhas.
E você pode sair flutuando.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Olimpíadas

Como sempre, não tenho acompanhado as olimpíadas. Se dependesse de mim, toda e qualquer cobertura de evento esportivo seria um fiasco total. Não entendo muito bem o objetivo. Entendo a importância do esporte. Ir lá, vestir o maiô e nadar. Ou calçar o tênis e correr. Ou jogar bola com os amigos. Ok. Mas sentar o popô no sofá, comer pipoca e ficar vendo um monte de gente se exercitar, sei lá.
Mas que eu realmente não entendo é essa indignação geral com o nosso quadro (hahahaha!) de medalhas (hohohohoho!!!). Por que a indignação? Sério, alguém achava mesmo de verdade que íamos ganhar medalhas? Quando, em toda a história das olimpíadas, houve uma participação brilhante do Brasil? Só se tiver sido antes de Cabral.
E isso por um motivo simplérrimo: ninguém dá a mínima para esporte neste país. Futebol? Ora, futebol é esporte no dicionário, mas na cabeça do brasileiro já virou religião. Então vamos esquecer o futebol, ok? Por enquanto, pelo menos.
Nenhum outro esporte existe por aqui. Nos Estados Unidos, pais esportista por excelência, os astros dos esportes enfeitam as caixas de cereais. Aqui, nas nossas caixas de cereiais, temos um tigre gordo, um urso astronauta e um elefante marrom.
E, se nenhum esporte existe, se os esportistas não têm apoio, não desfrutam de reconhecimento, não têm grana, então, como esperar que role um milagre a cada 4 anos? Como comparar o desempenho de um Phelps, que é um herói em seu país, com um esportista brasileiro anônimo e desacreditado?
E essa coisa toda, que faz parte do espírito coletivodo brasileiro, de sentir dó, de se identificar com os fracos. Ora, isso pode ser até bonito, bacana, mas não combina com esporte. O espírito esportivo é combativo, é competitivo, agressivo. Lembram daquele maluco de saiote que agarrou o maratonista brasileiro (cujo nome, lógico, não lembro) quando este estava liderando a prova em Atenas? Claro que houve uma falha grave na organização. Mas o fato é que, o sujeito estava correndo, vencendo, após anos de preparação e trabalho duro, adrenalina a mil. Surge um biruta de saiote para te abraçar. Cara, dá um empurrão e vai em frente. Faltou gana, vontade de vencer.
Aliás, coisa irritante. Brasileiro sempre perde por pouco, reparou? Sempre somos injustiçados. Acho isso um saco. Sumiu o equipamento da atleta brasileira. No caso, a vara utilizada por Fabiana Murer. A prova tinha que ter sido cancelada. A TV mostrou a atleta sozinha conversando com o delegado da prova, procurando seu material. Ninguém a ajudou. Ninguém na delegação brasileira. Sou uma completa ignorante em assuntos esportivos. Mas ela não tem um técnico, treinador, coisa que o valha? Não há ninguém que acompanhe os atletas para assegurar que a prova seja justa?
Falta apoio? Falta sim. Falta grana? Falta. Falta patrocínio? Com certeza.
Mas também falta apoio popular, interesse. Falta vontade de vencer. Falta gana. Falta combatividade. Falta brigar bonito pela vitória. Sobram justificativas.

Falta ganhar apesar de tudo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Federal 1987

Sabe quando você sabe que é feliz? Pois é.... era eu no colegial.
Não que eu não fosse feliz antes ou depois, mas é que eu tinha a consciência de que aquele momento era especial.
Quem estudou lá sabe.
Eu tinha acabado de sair de uma escola estadual muito ruim, na qual havia estudado minha vida toda. Não havia biblioteca. Nem vestiário. Mal tinha banheiro. Mas o que doía mesmo era não ter biblioteca.
E fui para a Federal. Escola Técnica Federal. Curso Regular de Processamento de Dados. Tive que estudar pela primeira vez na vida. Tomei notas vermelhas pela primeira vez na vida. Quase fiquei de recuperação. E tive acesso a uma biblioteca, a vestiário, semana cultural, olimpíadas escolares. Professores que instigavam, provocavam, empurravam a gente ladeira acima. Professores malucos, visionários, geniais.
Tive 4 anos de matemática, tive cálculo financeiro, desenho técnico, contabilidade, projetos, insônia e ansiedade.
Vivi o clima de faculdade quando tinha apenas 14 anos, sabe lá o que é isso?
Tínhamos liberdade de ir e vir, e éramos cobrados como profissionais.
É tanta coisa a dizer sobre lá, sobre aquele tempo, que sei que estou me atropelando toda.
Mas vamos por partes.

Mestres e mestras
Podíamos faltar. Ninguém corria atrás de alunos gazeteando. Mas havia controle de faltas. Havia um número máximo de aulas que o sujeito podia matar. E éramos cobrados pelo programa de aulas. E como éramos.
A avaliação era a critério de cada professor. E tínhamos professores, normalmente os mais exigentes, que davam prova com consulta ou para fazer em casa. Inicialmente, bobinhos que éramos, achávamos que ia ser moleza. Mas depois da primeira prova com consulta, ficávamos mais espertos. Prova com consulta não era sinônimo de autorização para usar cola. Era sinal de que a prova ia exigir análise e compreensão. Significava que, se você assistiu a aula só de corpo presente e depois decorou o livro, não vai conseguir responder às questões.
Tínhamos professores brilhantes, inesquecíveis, que faziam uma cambada de adolescentes de 15 anos sentirem prazer em assistir 4 aulas seguidas numa tarde de sábado. Caso do Renato, de Técnicas de Programação. Ensinar um bando de adolescentes indisciplinados (redundância...) a organizar o pensamento de forma lógica já não deve ser coisa das mais fáceis. Fazê-lo de forma divertida, então, beira o impossível. Mas o cara conseguia.
E o Sergio, nosso professor de Cobol? Deficiente visual de nascença, memorizava nossos programas, ditados, e apontava os nossos erros com precisão humilhante. Detectava a bagunça antes que tivéssemos oportunidade de começar, percebia quando alguém abria um pacote de biscoitos no fundo da sala e descobria fácil fácil qaun do alguém tinha a cara de pau de copiar o programa de outra pessoa. E isso, no meio de 40 programas.
E tivemos professores odiados, temidos, incompreendidos. Lembro da Marta, especialmente odiada e temida. Quando um garoto disse a ela "puxa professora, eu me esforcei tanto...." ela simplesmente respondeu: "quem se esforça é burro.Quem é bom vai lá e consegue.". Na época, ficamos indignados. Hoje, 20 anos depois, vejo que ela estava apenas constatando o óbvio. O mundo não é sempre justo e só tentar não significa sucesso. Isso certamente não estava no currículo, mas ela ensinou assim mesmo.

E mais
Lembro do meu walkman tocando INXS, Pink Floyd, Whitesnake, Deep Purple, The Cure, U2. Eu sentada num banquinho assistindo o treino de basquete, de rugby, de futebol. Lendo Bizz, Trip e Mad. Lembro do mainframe que tínhamos na escola, um Burroughs 1900, apelidado carinhosamente de Cabeção. Lembro da Semana Cultural, uma semana inteirinha sem aula, mas com presença obrigatória em palestras. Tinha de tudo, inclusive astrologia, filmes alternativos. Foi lá que assisti The Wall, Laranja Mecânica, O Encouraçado Potenkin.
Lembro da cantina, do almoço incomível, do indefectível lanche para tempos de dureza: X-Miséria, vulgo pão na chapa.
Lembro da primeira decisão moral: a classe inteira abandonou a sala quando um professor foi injusto com um colega.
Tínhamos eleição para diretor. O diretor possuía mandanto de 4 anos, após os quais, um novo diretor era eleito por voto direto. O voto direto não existia para presidente, mas para diretor da escola funcionava que era uma beleza.

mais, mais, mais
Era bom não ter preocupações. Talvez o melhor era ter a consciência de que eu não tinha preocupações. Afinal, passar de ano não é uma preocupação. As contas a pagar sim. O aluguel, a fatura do cartão, a faculdade, manter o emprego, ganhar a promoção, fazer o pé de meia. Isso sim, são preocupações. Era bom ter 15 anos, ter 16, 17. Era bom estar apaixonada por um garoto novo a cada semana. Tantas possibilidades, tantas coisas por acontecer me deixavam tonta, inebriada, meio bêbada. Queria o mundo todo de uma só vez e para sempre.

Aquela época foi inesquecível. Aquela escola foi incrível.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Oi. E aí? Quais as novas?

Olás pessoas. Andei sumida, mas tô viva, viu? Logo mais posto alguma coisa, mas é que ultimamente minha chapa anda quentíssima....

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cadê você Madonna?

Sou desorganizada com coisas desimportantes. Pois que virou mexeu eu ganho um tesouro. Explico. Só pra variar um pouco fiz lambança com meus CDs. Termino de ouvir um CD, abro a caixa do próximo a ser ouvido. Guardo o que eu estava ouvindo na caixa que já está aberta mesmo. E assim sucessivamente até que cada CD esteja na caixa errada. Juro que fazer é muito mais simples que explicar e a coisa tem sentido, rola um fluxo de ações....
Daí que de quando em quando sinto falta de algum CD. E eu olho pra pilha de CDs sabendo que lá, em algum lugar, escondidinho está o CD que eu quero. Como um tesouro enterrado numa ilha deserta. Só que sem mapa.

terça-feira, 6 de maio de 2008

De quem vai ficando pelo caminho

Perplexidade. Talvez seja este o grande sentimento diante de uma perda irreparável. Impotência, talvez seja outra. A certeza de que não somos nada, ou de que entre a vida e a morte há somente um véu muito, muito fino.

I close my eyes
only for a moment and the moment's gone
all my dreams
pass before my eyes a curiosity
dust in the wind
all we are is dust in the wind

Não importa se é justo ou não, se faz sentido ou não. Na verdade, nunca jamais faz sentido. Não adianta buscar respostas porque elas não existem. E nós, na certeza da nossa infalibilidade, da nossa importância, da nossa grandeza, continuamos buscando justificativas que não existem, simplesmente por não podermos aceitar que alguém deixe nosso convívio sem uma boa razão.

Same old song
just a drop of water in the endless sea
all we do crumbles to the ground though we refuse to see
dust in the wind
all we are is dust in the wind

Em meio ao choque e a perplexidade só fazemos perguntar o por quê, como se alguma resposta fosse anular o fato triste, indiscutível, irreparável, de que alguém se foi. Nada no mundo é tão certo como a separação. E nada é tão inaceitável.

Now, don't hang on
nothing last forever but the earth and sky
it slips away
And all your money

won't another minute buy

A vida não dá garantias. A vida não tem prazo de validade. A vida não tem manual de instruções. E mesmo assim, ela foi feita para ser usufruída com alegria e prazer. A nossa única certeza é, ao mesmo tempo, nosso maior medo. E mesmo assim, devemos viver com coragem e fé. Talvez o grande milagre seja o fato de conseguirmos.

Dust in the wind
all we are is dust in the wind
dust in the wind
everything is dust in the wind

(Dust in the Wind - Kansas)

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Coisas que não faço

Não assisto a noticiários
Noticiários viraram narração do apocalipse. Tô fora. É filho que mata pai, pai que mata filho, guerra, doença, boçalidade, ignorância. As mesmas notícias de sempre, mudando apenas os nomes dos sujeitos. Chega. Estou muito bem e feliz no meu mundinho cor-de-rosa.

Não acompanho desgraça alheia
Às vezes, no meio de algum evento que gera comoção geral, e que, via de regra, é desgraça, emerge uma faceta do "cerumano" que, francamente, não dá pra tolerar. Pode prestar atenção. Acidente de trânsito. Todo mundo TEM que reduzir pra olhar (pra que, pergunto eu, pra que?). Daí todo mundo diz "ai que horror", ou "coitado" ou coisa que o valha, que é pra mostrar que é bom e simpatiza com o sofrimento alheio. Daí vem um balançar de cabeça (tsc,tsc,tsc) e um comentário clichê tipo "onde este mundo vai parar, não é?" pra mostrar que o cara tem conteúdo. Agora, parar pra ajudar que é bom, nada, né, santa?

Não elimino nada que me dê prazer
Não meiiiismo. Posso até reduzir quantidades em prol de minha saúde. Mas não caio mais nessa conversa mole de que isto ou aquilo faz mal. Meu organismo sabe o que precisa e pronto.

Não acredito no que não me interessa
Só acredito no que me faz bem. Comentários pessimistas, derrotistas, fatalistas são solenemente ignorados.

Não duvido de nada
Sempre acho que tudo (de bom) pode acontecer. Acredito na capacidade criativa do destino. E esta fé nunca me frustrou.

Não julgo
Nunca.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Musiquinha que não saiu da minha cabeça hoje

" Viva a alegria e viva o prazer, de estar gostando de viver
Viva o oxigênio que invade o nariz e faz a gente ser feliz.
Viva a natureza, deusa da beleza, mãe das coisas que são boas
Viva a harmonia que somos eu e tu
E viva o rabo do tatu... "

terça-feira, 8 de abril de 2008

Dias assim

Tem dias que parecem mais inóspitos que outros. Dias em que o mundo parece menos amigável e as pessoas também. Assim, sem mais nem menos. Ainda bem que passa. E não, não é TPM.

domingo, 30 de março de 2008

Quem é esse Daniel?

Gente, entrou aqui alguém que veio pelo Google procurando por "qual era a carne no manjar que Daniel recusou". Pode??? E agora fiquei curiosa. O que significa isso, hein?

A vida em poucas linhas

A vida começa num sonho num instante de loucura num momento de abandono de busca de sei la o que mais daí ela vai avançando de sonho em sonho de momento em momento primeiro são balas e doces e tardes de brincadeira limonada televisão gibis lição de casa quintal bola pedras e chão mais adiante viram devaneios e angústias e dúvidas e mais dúvidas e marcas que vão se fazendo na alma e na mente mas são sonhos também os sonhos que nunca vão deixar de ser em toda a vida e os sonhos são sonhos de fogueiras ao luar e amigos e ideais eternos e mochila nas costas e um caminhar eterno errante e livre por todos os lugares que a mente vagar dormindo em barracas sob estrelas que pulsam é se jogar dentro de um mar de liberdade e se deixar afogar sem pressa e ir contando as estrelas enquanto isso é ver todas as possibilidades do mundo e serem todas e todas elas possíveis depois vem a realidade e ela é dura e implacável e muitos pensam que ela mata os sonhos mas não nada os mata eles só se calam enquanto esperam por serem ouvidos novamente e enquanto isso a vida vira sobrevivência e são contas a pagar e responsabilidades e perpetuação e futuro e preocupação enquanto os sonhos dormitam e esperam pacientemente até que uma brisa e um certo cheiro de passado e nostalgia encha o vento de pensamentos e a tarde cor-de-rosa lembre o de tudo que não se fez e tudo passa porque é assim que é e sempre foi e a vida vira contemplação e a sabedoria sabe acordar os sonhos e vivê-los saboreando como uma fruta que nunca existiu e as águas continuam correndo muito rápidas sob todas as pontes do mundo e um dia a vida se foi num momento numa luz veloz e fugaz como uma estrela cadente num sonho.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Dia da Mulher - desenvolvendo melhor ou Pelo dia internacional do homem

Publiquei o post sobre o dia da mulher num período meio conturbado e só ventilei o que penso, sem maiores explicações. Não que eu deva explicações, mas só que eu acho que explicar é sempre bom...
Não tenho nada contra o dia da mulher. Nem nada contra as mulheres e nem poderia, já que sou uma. Mas não entendo o por quê de um dia específico para a mulher. O que estamos celebrando exatamente neste dia? O fato de centenas de mulheres terem sido queimadas vivas dentro de uma fábrica? Sem diminuir a dor e o sacrifício daquelas mulheres, o fato é que elas não foram queimadas por serem mulheres. Foram queimadas por serem trabalhadoras e estarem ousando reinvidicar direitos numa época em que não existia nem sombra do conceito de direito trabalhista. Homens, mulheres e crianças trabalhavam 15 horas por dia no mínimo, em condições sub-humanas, 7 dias por semana, sem direito a qualquer tipo de recesso. Elas estavam reinvidicando equiparação salarial com os colegas do sexo masculino. Mas se fossem homens e reinvidicassem salários decentes, teriam sido queimadas do mesmo jeito.
"A beleza de ser mãe...", "a capacidade de gerar vida". Legal, lindo. Mas existe beleza em ser pai também. Além do mais, celebramos estes itens no dia das mães. E, ainda por cima, ninguém gera a vida sozinha, vamos combinar isso.
Há também uma crença de que mulheres têm menos oportunidades ou recebem menos que seus pares do sexo masculino. Não sei o que dizer a respeito, pois esta é uma realidade que jamais enfrentei em minha vida. Muito pelo contrário, diga-se. E, diga-se também, que não é isto que eu observo nas pessoas de meu convívio.
O que eu observo é que as mulheres estão mais e mais poderosas. Vejo que as mulheres estão se impondo, muitas vezes até de forma tirânica sobre os homens de suas vidas. Vejo homens cada vez mais acuados e enfraquecidos. Vejo cada vez mais mulheres mandando, ordenando, organizando, decidindo sempre e tudo. E, quer saber? Não estou achando isso nada bom.
É. Não estou mesmo. Porque ao mesmo tempo, vejo mulheres cada vez mais implacáveis, cada vez mais exigentes e.... cada vez mais solitárias. Os homens estão sós. As mulheres estão sós. Quem está ganhando esta competição? Meninos ou meninas? Respondo: ninguém. Estamos todos perdendo. Perdendo tempo e convivência. Estamos perdendo a capacidade de amar e de conceder.
E, quer saber? Proponho criar o dia internacional do homem. Dedicado àqueles seres incompreendidos, sobre os quais pesa primeiramente o sustento da família, que precisam muitas vezes abrir mão do convívio familiar em nome do trabalho e ainda são hostilizados por isso. E que ainda por cima não têm o direito de chorar nem de demonstrar fraqueza.

A Bússola de Ouro, A Faca Sutil, A Luneta Âmbar

Terminei de ler a trilogia Fronteiras do Universo, do Philip Pullman, aquele da Bússola de Ouro. Excelente. Altamente recomendável a todas as pessoas que gostam de uma boa ficção. No melhor estilo “Senhor dos Anéis” você entra num universo fantástico, com personagens cativantes, complexos, bem construídos. Em A Bússola de Ouro começa a história de Lyra Belacqua, uma garota que vive num mundo que, num primeiro momento, você pensa ser o nosso, num passado recente. Pela descrição de máquinas, do modo de vida, das pessoas, tudo remete a um mundo.... “vintage”, vamos dizer assim.
E esta é descrição de Oxford e uma de suas faculdades, onde Lyra mora. E, de repente, Lyra se vê impelida a iniciar uma jornada para o Pólo Norte para resgatar seu amigo George de um misterioso grupo de raptores de crianças. Através desta jornada, ela conhecerá verdadeiramente seus pais, seu passado e terá um vislumbre de seu futuro.
Pulo para o próximo livro, A Faca Sutil que começa com um menino em um mundo que.... surpresa! é o nosso. Engraçado aqui é constatar que a descrição do mundo de Lyra é tão bem feita, tão bem construída que a descrição do nosso próprio mundo soa estranha, tudo parece duro e sem magia. Na Faca Sutil, Lyra conhece Bill, um garoto que cometeu um crime para proteger a mãe, que busca o pai, desaparecido desde que Bill era um bebê e que conquista uma estranha faca, capaz de abrir brechas entre os mundos. Juntos eles enfrentam espectros e vão procurar o pai de Bill e Lorde Asriel, pai de Lyra, que está preparando uma guerra contra a Autoridade. A Autoridade parece ser Deus, ou um conceito humanizado de Deus. E este é um grande mérito: deixar a imaginação do leitor livre para fazer as associações que quiser, coisa que Philip Pullman parece ser um mestre em fazer.
Em A Luneta Âmbar, vemos Lyra capturada e Bill determinado a reencontrar e libertar a amiga a qualquer custo. Vemos anjos, pequenos espiões guerreiros cavalgando libélulas, uma cientista que terá uma função vital: ser a serpente que tenta Eva. Como assim? Ah, você vai ter que ler.... Esta cientista/serpente sai em busca de sua missão, que ela nem sequer desconfia qual seja. E vai parar em um mundo, um universo paralelo, em que a natureza parece ter privilegiado outras formas, outras funções. Um mundo povoado de seres absurdamente diferentes, semelhantes a animais, porém dotados de consciência, inteligência avançada, delicadeza, sentimentos. Seres que formaram uma sociedade, com base em crenças, tais como a nossa.
A história fecha com a maturidade de Lyra. Ela começa A Bússola De Ouro como uma menina travessa e voluntariosa e termina A Luneta Âmbar como uma jovem moça, que teve que lidar com perdas e decepções e demonstra já uma plena consciência de seu papel no mundo e da conseqüência de seus atos, numa idade em que normalmente se encara os sentimentos como finalidade e justificativa para tudo. Este é um livro que não acaba depois que você lê a última página.

De volta depois de um periodozinho bem filho da mãe

Voltei.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Dia do quê?

Dia Internacional da Mulher. Você entende isto? Nem eu.
Parece coisa de gincana meninos-contra-meninas. Pois então, 8 de março é dia das meninas. Menino não tem dia, la-la-la-la-la-la. Bobeira.
Mas tudo bem. Gosto de ganhar presente e qualquer desculpa é boa para ganhar flores, ou jantar fora. Mas que eu não entendo, não entendo mesmo!