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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Post Mix: Michael Jackson, Honduras e esperança

Michael Jackson morreu. E qual a surpresa? Com tanta esquisitice, tantas manias e neuroses acho até que demorou.
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Se lamento? Sinceramente, não. Não o conhecia, oras. E como artista, eu lamentei foi há muito tempo, quando ficou claro que o artista genial havia sido consumido pela pessoa atormentada e nunca mais haveria outro disco decente depois de Thriller.
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Lamentei quando vi que o garotinho fofo, que cantava e dançava não existia mais. E que aquele rapaz bonito não ia se tornar um homem bonito. Ao invés, estava lentamente se transformando em uma criatura bizarra, assustadora, desfigurada. E que não havia um amigo ao lado dele que pudesse lhe dar alguma noção.
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Vendo toda esta comoção em torno da morte dele, me lembro de "Necrofilia da Arte", do Pato Fu, que fala sobre a nossa fixação pelos ídolos que se foram. Pois duvido que haveria tanto blablabla em torno da nova turne que estava por vir.
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Foto de Esteban Felix/AP - Fonte: UOL Notícias

Golpe em Honduras. Isto parece saído de algum livro de história. Não deveria acontecer agora. Não deveria acontecer nunca mais. O que, combinado com os protestos no Irã, me trazem a nítida impressão de ter caído em alguma máquina do tempo e voltado para os anos 70/80.
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Mas, fecho este "post mix" com algum otimismo. Há alguns dias voltei a acreditar no futuro da humanidade e quero manter este pensamento.
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Foi aniversário de minha filha e fizemos uma festinha no salão de festas do prédio, só para reunir os amiguinhos da escola. Algumas crianças do condomínio estavam rondando, olhando interessadas e eu as chamei. Elas foram chamar um outro menino, que estava mais afastado. O menino, muito sério, respondeu baixinho: "não posso ir, pois não fui convidado". Pode? Aquele pirralho era mil vezes mais educado que muito marmanjo que eu conheço.
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Daí, fui lá chamar o menino. E ele, sacando que era um convite "por educação", afinal, não o conheço e nem ele conhecia a aniversariante, deu uma desculpa e, educadamente, declinou!
Inacreditável!
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Mais tarde, minha sobrinha se assustou com o palhaço e saiu chorando. Um outro menininho, de 6 anos, virou-se muito enfezado para o palhaço e foi defender a menina que ele nunca tinha visto antes. "Você fez ela chorar! Ela é pequenininha! Não pode!". Indignadíssimo, ele não se omitiu, ao contrário do que se acostumaram a fazer os adultos.
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O show de palhaços foi o de sempre: 2 palhaços, um tentando enganar o outro. Ao final, alguém perguntou a minha filha se ela tinha gostado e ela respondeu que não. Por que? E ela, seríssima: "É só mentira, mentira e mentira! Não gostei!".
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Educação, respeito, coragem, compaixão, amor pela verdade. É impressão, ou esta geração está muito mais bem equipada que a minha?

Um comentário:

Camila disse...

p.s: e a mesma pequena sobrinha que saiu aos prantos por causa do susto do palhaço...no final da noite, analisou os dois " figurantes" (agora já sem a fantasia) e comentou: "ah, eles já se trocaram, agora não tenho mais medo"...e ela só tem 2 anos...nem tentem enganá-los!